21/04/07

TOLEDO...madre mia!

Finalmente consegui visitar Toledo. O truque é reservar um bilhete de tren e traquilamente lá vais tu. Lá venho eu parar a Atocha, mais uma vez. Mas confesso que não me canso e mais uma vez fico encantada com a capacidade dos espanhóis de aproveitar uma velha estação de comboio e transformá-la numa pequena floresta tropical. Mais um ponto a favor aos espanhóis. Digo-vos que sabe bem visitar uma estação de comboio tão bonita como esta.

Sentas-te um pouco à espera da tua hora e vais vendo a agitação das crianças quando estas se apercebem que este pequeno paraíso tem tortugas e ranas no pequeno lago improvisado. E o respeito pelo meio ambiente é tal que todos sabem respeitar a proibição de fumar ali. Atocha é uma forma de vida. Nem mesmo o M-11 retirou o encanto de quem passa por Atocha. Inclusive, todos os dias existem filas enormes para ver o memorial que o Ajuntamento de Madrid ergueu às vítimas. Para mim é um pouco sórdido, visitar memoriais destes e tirar fotos, como se duma recordação se tratasse. O mesmo senti quando estive no cemitério americano em Omaha Beach. Custa-me ver um local de respeito aos mortos ser tornado num roteiro turístico.

No ar sente-se uma certa apreensão a grandes multidões e a policia é uma presença habitual. Até para entrar no comboio, temos que passar bagagem, malas e casacos pelo detector de metais. Pêro, é uma medida aceitável!

Entro no comboio, muito estilo TGV e vês mais uma maravilha espanhola, carruagens de classe turística em que as plazas são espaçadas e os bancos são hiper confortáveis. Viva a classe turística da Renfe AVE.

A viagem Madrid-Toledo é pequena e não tem muito que se aponte. O industrialismo vai substituindo as árvores e muito não se pode dizer. A verdadeira surpresa é chegar a Toledo e ver a estação de comboios, arquitectura muito iglesiana e toda revestida com os tão tradicionais ladrilhos. Entras e sentes-te transportada para a época mediaval. Chão de terracota com pequenos antigos azulejos com os brazões das famílias de Toledo. O tecto, de madeira cria uma espécie de abobada de estilo mouro e pendurados, três grandes candelabros mediavais. E as pequenas janelas lá no alto, com vitrais temáticos. Parecia que tinha sido transportada para um filme do Errol Flynn, de Robin Hood.

Para turista, gosto do desconhecido, por isso raramente me faço acompanhar de guias turísticos. Mas confesso que me movo nas multidões! Aprendi que basta ver um grupo de turistas, basta segui-los e não me desapontarei! Assim, apanhei o bus 42 e não que acertei em cheio na teoria…fui levada para o centro histórico de Toledo. Que neste caso é a cidade mediaval dentro das muralhas de um castelo plantado à beira do nosso tão querido rio Tajo!

È impossível não conter a alegria! Castelo de traços muçulmanos edificado há séculos, quase que imagino homens sujos e cheios de pelo, com as suas vestimentas de couro e armaduras de ferro, acendendo toros de lenha e comerem cerdo assado no espeto que nem uns trogloditas. Sinto os odores a estrume de cavalo, porco e homens suados que não tomam banho desde o último verão! Sim, um pouco de fantasia para justificar o entusiasmo de ali estar.


Todo o autocarro, turistas americanos e muitos japoneses começaram a fazer um chinfrim, parecia que estávamos a chegar à Disneyland e toda a gente queria brincar com o Mickey. E qual não o meu espanto, parecia que Madrid em peso tinha decidido visitar Toledo. A plaza estava à pinha de gente, as calles idem idem, e quando saí do autocarro, não tinha a certeza se aquela era a minha ideia de um passeio tranquilo. Agora já não havia nada a fazer. Então lá comecei a ver as minhas amigas cascas de semente, a fazerem seu carreirinho até um banco de jardim próximo de si. E senti-me outra vez a reviver os meus tão queridos fins de semana em descoberta de Madrid…bolas!!

Como pessoa anti-social, lancei um olhar em redor, à procura de uma calle menos cheia de Hi!Ye!Really? e os típicos Kumitschuiha! Ou seja lá como se escreve. Pois acertei na mouche, a táctica numero dois revelou-se uma preciosidade, pois encontrei um mirador na encosta do castelo, com vista para o rio Tejo e quando não dou por mim a sentir o cheiro dos meus queridos bocadillos de tortilla de patata, bocadillos místicos, os tão espanholados churros de chocolate e mais uma vez, toda a cangalhada que esta gente come. Será que era pedir muito um passeio místico, de gente a menos e comida decente?

Bem, respira fundo cachopa! Também tu fazes parte da violência das margens, por isso se estás em Toledo faz como os Toledanos…

A cidade é magnífica para passeio e quem sabe passar um fim-de-semana, mas não em época alta. Fez-me lembrar um pouco o que acontece com o Algarve, durante o Inverno ninguém quer saber daquilo e os seus nativos vivem tranquilos, mas diabo ao verão que vira tudo do avesso e quem vivia sossegado no regaço do seu lar, agora nem estacionar em condições pode!

Um pouco de menos globalização fazia bem ao turismo de qualidade! Ou seja, eu poderia passear à vontade!

Adorei ver o mesmo tipo de varandins italianos, em calles estreitas mas muito mexicanas, com madeira velha e ferro fundido. Que triste não ter uma máquina fotográfica e fazer parte das multidões. Gostava de ter tirado umas fotos a aquele gato que estava languidamente deitado na sua estimada almofada, naquele varandim perfeito! E o melhor, maior parte dos edifícios históricos têm algo de interessante para ver, exposições, conversas boémias, música adequada ao ambiente. E como um bom Zé Tuga adora, à borlix!

Mas de tanto andar, estava-se a chegar a hora crítica, almoçar! Onde raio iria encontrar um restaurante que não me fizesse puxar da minha Botella Pascual Mineral e que não me obrigasse a desatar a correr para los banhos e ficar lá a passar vergonhas com os ruídos e odores? Andei por tudo quanto era beco, rua e nesga e tudo tinha nomes esquisitos e com aspecto de levar molhengas de piri-piri ou de pimenton. A fome era cada vez maior e já estava quase a render-me quando este nariz captou umas moléculas no ar que não lhe eram desconhecidas e que o instinto dizia que podia confiar. Andei mais um pouco e dei à plaza central lá do pueblo e qual a minha alegria: MacDonalds! Estava salva, não ia passar vergonha hoje!

Não é que eu seja amiga de fast-food mas nas horas de emergência, confio mais no meu MacChiken que lá nos Terneros Com Comillos e Patatas Assadas en Horno. Porque a ultima vez que caí na conversa do ternero, fiquei com uma acidez no estômago, que parecia o Jim Carrey em Eu, Ele e Irene com ataque! Depois de comer, a fome ainda continuava mas também confiava na botelha de água que vinha no menu. Não, não era a minha querida Pascual e esse foi o meu grande mistake.

Por vingança ou simplesmente cumprir com o destino, imaginem-se no meio de uma fila enorme para ver a torre, quase á beira da entrada e dar uma valente dor de barriga? Daquelas que sentes todo o corpo a tremer e a ficares com a temperatura elevadíssima. E que sabes que se te mexes, algo de muito mal pode ocorrer!?! Mas que se não sais dali, algo ainda pior vai mesmo acontecer!!!

Juro, que desde que cheguei a este país, ainda não consegui comer fora que em poucos minutos depois também não saísse fora. Um suplicio. Agora imagine-se se eu tivesse proposta de emprego na Índia ou no México! Morria de facto!

O que posso dizer é que a minha estadia em Toledo terminou aí. Mas posso fazer um roteiro turístico a todas as wc’s da santa terra e até posso mesmo eleger, numa escala de 1 a 5, qual a merecia ser a wc mais acolhedora!

Para a pior wc de Toledo está a wc MacDonalds e pormenores não dou. A com dois pontos, o arbusto por detrás da estação de autocarros do centro histórico, a vista não era grande coisa. Em terceiro, ficou a wc da pastelaria Bocadellia, que os aromas a bocadillos ajudaram na hora da decisão, vou ou não vou. Em segundo lugar, a wc do comboio, com tanto baloiçar, foram os trinta minutos mais aflitivos do dia e o grande prémio vai para….a wc de um restaurante, que tinha uma linda orquídea ao lado do lavatório e…que tinha a janela da wc ao nível da sanita e depois de muitos trovões e chuva da grossa, percebi que lá fora tinha alguém a passar na rua, a ver o meu rabo e a ouvir aquilo tudo. È o que dá ter ruas e janelas em níveis não aconselháveis para dadas circunstâncias.

Vai lá Vai !?!

Pois bem, acho que chegou a hora de saberem um pouco mais de mim. Eu sou uma pessoa desgovernada quanto a orientação, trabalho com a cabeça no ar e o meu suposto Spanish Mentor es un Tio. Para quem está familiarizado com as nossas Tias de Cascais, aqui não tem nada a ver. Aqui o Tio é o nosso Chico Esperto. A mania é que é factor comum!

O Tio cá da companhia deste mundo ibérico, deixa muito a desejar. Imaginem estarem atulhados de trabalho, ele chegar com mais uma pilha de papéis e a dizer: Mira, tengo urgencia, es mui importante hacerlo. Tienes un ratito? Ah pois, aqui rato=tempo, ratito=tempito e a melhor de todas, raton=o rato do computador! Estes espanhóis são fenomenais!

Mas onde é que eu ia? Ah, parecia mal dizer que não pois afinal, nem se notava que estava afogada em papelada e listados do tamanho das páginas amarelas. Si, entonces voy hacerlo ahora, disse feita parva. Ele volve para su oficina e eu começo a dar à unha. Esbarro logo na compreensão dos objectivos…afinal é para fazer o quê com aquilo? Levanto-me e dirijo-me à oficina do Tio e qual não é o meu espanto de ver que o grande puta madre está refastelado na sua silla a jogar solitário com uma expressão de orgulho.

Definitivamente, vou exigir um referendo: é a favor da pena de morte?

Estube diez minutos mirandolo hasta que elle sintiu que haberia alguien en su puerta, alguien mui jodida da cabeça!!!!

O homem, quando se apercebeu que eu estava a ver o lindo serviço que ele estava a fazer, mandou um pulo da cadeira tão grande que parecia que tinha visto o Alberto João Jardim em desfile de Carnaval. E a velocidade com que se endireitou na cadeira e fechou a pantalla do solitário. Maravilloso! Achou por bem desculpar-se, pondo cara de esgotamento nervoso e a dizer que estava a relaxar de um longo dia de trabalho. Tendo em conta que os espanhóis desajunam às 11h, almoçam as 14h e pico e quem em cada uma destas refeições, a duração é quase de uma hora e tal, não estou bem a ver onde ele teve tempo para stressar tanto!

Vá-se lá trabalhar com Tios!!!!

20/04/07

....me retiro!

Aconselho a qualquer pessoa que venha conhecer Madrid para visitar o Parque do Retiro, mesmo ao lado de Atocha.

Hoje estive lá a passear um pouco, e ler um o meu Constant Gardner. Começas por estranhar teres um parque daquela dimensão e não ser pago. Pois isso em Portugal era convertido em mais uma forma de fazer dinheiro. Ali, posso-me dar ao luxo de me perder e não me preocupar. Pois sempre que lá vou meto-me num caminho e descubro coisas encantadoras. Estes foram os jardins que Balzac imortalizou nuns poemas que desconheço mas que tanto apregoam os espanhóis!

Confesso que é um parque muito citadino, pois vês muita classe alta a passear lá, inclusive jet set espanhol. Pois eu não os conheço, mas como aqui a televisão vive da exploração da vida privada do jet set, não é difícil ir a andar e ouvir um casal comentar: Conho, mira! Es Fulanito que fez isto e disse aquilo! Mui bien, pois para mim é indiferente, porque a beleza do Retiro é este frenesim de classes. Pois ali vês desde o mais pobre ao mais rico e todos respiram o mesmo ar e andam pela mesma calle.

Defendo que o Retiro é o parque mais bonito do Mundo. Pois já visitei alguns países, no qual tinha eleito o Parque de Villa Burghese de Roma como o parque mais romântico, mas acabou de ser destronado. Madrid merece o meu respeito por ter aberto este espaço ao público e conseguir mantê-lo o mais limpo possível.

Bem, acabou-se os elogios. Vamos lá ao ataque!

Pois, entre a high society e o zé panhol, podes andar à vontade pelo parque e saber que a qualquer momento podes ser albarroada por um bladder todo jeitoso. Aqui patins em linha é moda, é como o piercing à Vacaréré! Mas mais que os bladders, adoro ver a moda dos joggers com as suas calcinhas de Lycra dryfit. Aqui correm que nem uns doidos e suam que nem uns cavalos. Mas espero que seja mesmo suor de verdade, não como vi hoje um a atirar água para cima só para fingir suor. Isso não vale, é batota. Porque as pessoas que passeiam exigem o verdadeiro odor. Quem fizer falta grave como este leva cartão!

Por cada glorieta encontra-se batukada, pessoal dos malabarismos, música equatoriana, musica versão Gato Preto Gato Branco, teatro de marionetas, senhores a pedir uma esmolinha e tudo o que se possa imaginar gratuito e a cravar algum! Até tem-se direito a videntes e bruxos com as suas mesinhas e chapéu a proteger das intempéries. Ah, e até pagamento Multibanco têm!

A verdade é que este parque é um achado! Porque ali, podia-se fazer uma amostra e realizar um estudo de opinião tipo: acham correcto o Sócrates ser primeiro-ministro e só ter bacharelato. Aqui, de certeza que eram obtidas respostas sólidas e fiáveis.

O Retiro não deve ser levado à letra, porque de retiro não tem muito, mas é um dos melhores lugares para passear, divertires um pouco e destressar. Quanto a ler, aí já fica difícil porque os bancos geralmente estão ocupados por um casalinho atrevido em posições kamasutricas ou então encontras as tão famosas cascas de sementes cuspidas a grande esforço. O melhor mesmo é escolher uma árvore jeitosa, e por favor não cometam o erro de certas pessoas desorientadas de origem estrangeira que se sentam debaixo duma árvore catita, se deixam dormir a ler um já mencionado livro e acordam com o repuxe da relva a trabalhar a full speed!

Também é contra-indicado adormecer quando se está só no Retiro, porque se pode acordar rodeada de men’s a curtir as suas Marias e a conspirarem de que forma se devia gamar a mochila sem que a vítima desse por isso.

16/04/07

Continuação...

Mas as maravilhas não acabaram!!

Porque sobrevive-se ao Rastro mas será que se sobrevive a Lavapies e à Latina? Pois isto é muito simples, por simples achas que tanto andaste a subir, que se passares a descer voltas a Atocha e pões-te a caminho de casa. ERRADO! Pois bastou enfiar-me na calle errada e fui parar à famosa zona boémia de Madrid:a Latina. E lá verifico uma teoria. Na minha santa terrinha, as meninas in’s são exactamente fotocópias umas das outras, 365 dias do ano, tanto que é difícil distinguir quem é quem. Pois afinal a clonagem também chegou a Madrid, mas numa variação genética de calça de cintura baixíssima, onde regos se disputam em cada mesa de esplanada e o tão misterioso piercing abaixo do canto da boca, muito ao género Ana Malhoa. Pois afinal ela foi a mãe de todas !

Basta entrares na Latina para ver que também aqui as gerações X continuam em crise, pois empunham com orgulho os seus casacos ou calças de estilo militar e a tão bonita boina berde! Cabelos desgrenhados, t-shirt do Ma Men Che e um leve aroma a Maria Joana e sabes que chegaste. Bem, não era bem o meu objectivo, mas já que investi o dia no roteiro não turístico, então força!

As ruas da Latina, sempre a descer, permitem aos muitos indianos abrir cafés e pseudo-restaurantes. A nortada deve ser tanta naquelas cabeças que nem notam a inclinação das mesas. Whatever…pormenores! Mas aqui fica o aviso, se tiverem muita fomeca, não comam a kebab. E se forem muitos sensíveis fisiologicamente, menos aconselho. Pois não cometam o erro duma pessoa que eu conheço que se perdeu na Latina, decidiu matar a fome com uma novidade rara e quase que não chegava a tempo de encontrar uma WC. Garanto-vos que o filme Em Busca de Uma WC Perdida em altura de aperto é um verdadeiro Massacre do Texas! Que piadinha cliché!

Mas melhorando a qualidade da conversa, a Latina transpira a muita Maria e faz-me lembrar o Bairro Alto, always packed! E se a confusão não chegasse começas a entrar em território Lavapies e qual o teu espanto quando vês aqui nesta mesa um grupo de pessoal fixe, mas todos eles pobres de bêbados e na mesa seguinte, uma bela jovem a levar um valente pão de quilo da miúda ao lado. A violência foi tal que a mesa virou e começou tudo à bulha. E isto era ainda uma da tarde! Decidi que era hora de encontrar o caminho de casa, porque para um dia, banho, tentativas de gamanço, desarranjo intestinal e violência gratuita chegavam por um dia.

Comecei em busca das Portas de Atocha, mas teimosa como sei ser, decidi que tinha que continuar a descer as ruas. Pois bastava ter virado logo à Lavapies e estava lá, mas não. Então continuei a descer, a ver a rotunda dos Embajadores e a Casa do Reloje. Mas sabia lá eu que tinha descido demais. Nisto tudo, cansei-me. Sentei-me na paragem mesmo em frente à dita Casa do Reloje. Para minha alegria, tive companhia pouco tempo depois, um grupo de romenos de aspecto distinto e respeitadores do ambiente. Sim, quem vier a Madrid não se admire de ver pessoas a comer sementes de sésamo e a cuspir as cascas como se dum concurso se tratasse. Em cinco minutos, já estava atascada em cascas.

Para finalizar a história, com tanta falta de sentido de orientação, agora compreendo porque levo tantos buzinões quando conduzo…não sou espanhola!

13/04/07

As delicias de viver em Madrid

Acordar pela manhã com os vizinhos de cima, numa verdadeira disputa entre Azucar Moreno e Xibita para musica não-ambiente, logo pela manhã é o sonho de qualquer português. Mas confesso que prefiro espanholada que romanada. Mas não muito distintos, o chinfrim é o mesmo! Decides que o melhor é sair de casa e dar um passeio por Madrid, afinal de contas dois meses e não conhecer as calles com a palma da mão é crime!

O verdadeiro prazer de viver em Madrid é sentir que apesar do transito caótico e bozinao a cada milisegundo, adoro quando descubro coisas novas. Dei por mim a visitar o Parque do Retiro, que é um dos muitos prazeres que os madrilenos proporcionam. Es maravilloso!

Mas tanto ar puro faz mal aos pulmões, decides que tens que conhecer a verdadeira essência do que é ser madrileno. Então sobes a calle B... que agora não me lembro, e apanhas logo com um banho de mangueira, do tão simpático senhor que liempa las calles sucias. Entre perdons e lamentos, sais fresquinha à procura de agitação. Secas o corpo e a roupa pelo caminho e por alegria dou de caras com a Plaza Maior :)

Que coisa mais latina e sentes-te de novo bem disposta. As pessoas são de uma extrema simpatia, pois esbarras entre elas e ouves o espectacular conho. A seguir vem o enxurrilho de palavras ditas a Mach 3 e desistes de entender. Mas o melhor de tudo é ver que não és só tu que acontece o mesmo. E nestas horas agradeces estar mal vestida, semi-molhada e compreendes que a tua carteira continua no mesmo sitio. Mesma sorte não tiveram os alemães cotas que espantados fotografavam a Plaza e levaram com a mesma dose e ficaram sem as carteiras...

Decides sair dali para não abusar da sorte, mas como o sentido de orientação não é dos melhores acabas no Rastro, a verdadeira feira da ladra madrilena. Lá encontra-se desde cromos de mundiais de 1980 e troca o passo até à quinquilharia de candelabros enferrujados e armações de cama do século de judas. Como a sorte acompanha os mais desafortunados nas alturas certas, consegues sair de lá inteira, com tuod o que levavas e com sorte com uns livros antigos que parecem interessantes mas que cheiram a mofo que tomba!

Com este pequeno percurso, levas quase meio dia de encontrões, tentativas de gamanço mas com um sorriso nos lábios, por saber que há vida nesta cidade que começa a nascer a meus olhos :)

11/04/07

O Renascer da Botella Pascual

Não é que todos os dias me queixe, mas a verdade é que todos os dias me levanto temprano para caraças e me salgo para o catano do frio que vai na calle. Como se não bastasse, tenho que lidar todos os dias com o Tio e almoçar que é bom nada. Desde que cheguei a Madrid, devo dizer que foram poucas as vezes que consegui comer fora, ou mesmo até conseguir comer.

Quem se lembra de fazer uma sandes de metro e meio e chamar-lhe bocadillo. Deveriam chamar-los bocadões. E para um espanhol, comer um bocadillo é sacrilégio. Entao ao desajuno, se toma o café (que se for á nossa tão deliciosa bica = café solo) e a patissarias, ou seja a porcaria de bolos de todas as formas e cheias de cremes de elevado teor colesterólico :)

Então, a boa bucha tuga de galão com uma sandocha de queijo e fiambre é o equivalente espanhol a café con leche e um bocadillo de quejo e jamon cosido. A verdadeira missão impossivel, é encontrar o fiambre. Porque aqui jamon é o nosso presunto. E eu que não suporto presunto já é por duas vezes que sou enrrabbdada com esta.

Entre aventuras de desajunos e almoços...almoçar aqui só a partir das 14.30h para a frente. Sopa, nem vê-la mas comes um primero plato:massas de tomadada e tudo que se possa imaginar que possa servir de entrada com molhos de todas as formas e feitios. Depois temos direito ao segundo plato: todo o tipo de mistela que escorra da cucharra do cozinheiro para o raio do prato.....

Com isto tudo, só posso dizer que confio no vaso de agua ou uma botella ensanatizada!!!
Vou começar a fazer contagem decrescente para o meu bacalhão com grão e cozido à portuguesa.... ai que fome!!! :(