16/04/07

Continuação...

Mas as maravilhas não acabaram!!

Porque sobrevive-se ao Rastro mas será que se sobrevive a Lavapies e à Latina? Pois isto é muito simples, por simples achas que tanto andaste a subir, que se passares a descer voltas a Atocha e pões-te a caminho de casa. ERRADO! Pois bastou enfiar-me na calle errada e fui parar à famosa zona boémia de Madrid:a Latina. E lá verifico uma teoria. Na minha santa terrinha, as meninas in’s são exactamente fotocópias umas das outras, 365 dias do ano, tanto que é difícil distinguir quem é quem. Pois afinal a clonagem também chegou a Madrid, mas numa variação genética de calça de cintura baixíssima, onde regos se disputam em cada mesa de esplanada e o tão misterioso piercing abaixo do canto da boca, muito ao género Ana Malhoa. Pois afinal ela foi a mãe de todas !

Basta entrares na Latina para ver que também aqui as gerações X continuam em crise, pois empunham com orgulho os seus casacos ou calças de estilo militar e a tão bonita boina berde! Cabelos desgrenhados, t-shirt do Ma Men Che e um leve aroma a Maria Joana e sabes que chegaste. Bem, não era bem o meu objectivo, mas já que investi o dia no roteiro não turístico, então força!

As ruas da Latina, sempre a descer, permitem aos muitos indianos abrir cafés e pseudo-restaurantes. A nortada deve ser tanta naquelas cabeças que nem notam a inclinação das mesas. Whatever…pormenores! Mas aqui fica o aviso, se tiverem muita fomeca, não comam a kebab. E se forem muitos sensíveis fisiologicamente, menos aconselho. Pois não cometam o erro duma pessoa que eu conheço que se perdeu na Latina, decidiu matar a fome com uma novidade rara e quase que não chegava a tempo de encontrar uma WC. Garanto-vos que o filme Em Busca de Uma WC Perdida em altura de aperto é um verdadeiro Massacre do Texas! Que piadinha cliché!

Mas melhorando a qualidade da conversa, a Latina transpira a muita Maria e faz-me lembrar o Bairro Alto, always packed! E se a confusão não chegasse começas a entrar em território Lavapies e qual o teu espanto quando vês aqui nesta mesa um grupo de pessoal fixe, mas todos eles pobres de bêbados e na mesa seguinte, uma bela jovem a levar um valente pão de quilo da miúda ao lado. A violência foi tal que a mesa virou e começou tudo à bulha. E isto era ainda uma da tarde! Decidi que era hora de encontrar o caminho de casa, porque para um dia, banho, tentativas de gamanço, desarranjo intestinal e violência gratuita chegavam por um dia.

Comecei em busca das Portas de Atocha, mas teimosa como sei ser, decidi que tinha que continuar a descer as ruas. Pois bastava ter virado logo à Lavapies e estava lá, mas não. Então continuei a descer, a ver a rotunda dos Embajadores e a Casa do Reloje. Mas sabia lá eu que tinha descido demais. Nisto tudo, cansei-me. Sentei-me na paragem mesmo em frente à dita Casa do Reloje. Para minha alegria, tive companhia pouco tempo depois, um grupo de romenos de aspecto distinto e respeitadores do ambiente. Sim, quem vier a Madrid não se admire de ver pessoas a comer sementes de sésamo e a cuspir as cascas como se dum concurso se tratasse. Em cinco minutos, já estava atascada em cascas.

Para finalizar a história, com tanta falta de sentido de orientação, agora compreendo porque levo tantos buzinões quando conduzo…não sou espanhola!

1 comentário:

Nídia Nobre disse...

Acho que levas mesmo o prémio de "a Amiga mais despassarada da Nídia!" Lol e olhas que tens concorrentes à altura!!! (elas sabem quem são eheheh and me included!)