27/11/07

Une aventure en Paris

C'est vrai...estou na cidade luz!

Uh, lala, as maravilhas das patissaries que te empaturras até à ponta do cabelo em chocolate, doces, cremes de sabores e cores alucinogénicas. E no entanto, a única oportunidade até agora de ver a Torre Eiffel, foi na chegada ao aeroporto, bem lá ao longe.

Durante seis meses o hotel H irá ser a minha casa. E quer queira ou não, as palavras falam mais que mil palavras.
E apenas posso dizer que todos os dias acordo a sonhar com aviões e é ao som deles que adormeço.
A ver se este blog começa a ganhar vida em forma de imagem e a solidão de viajar sola passe!


20/10/07

Egipto, here I come!!

Bien, estava já mais que na hora de começar a cortar o cordão umbilical do mio vocabulário espanholês e virar-me para o mundo!! Decidi que afinal era hora de pôr Espanha atrás das costas e dedicar-me a países exóticos.
Primeira missão começa amanhã: Cairo, Egipto!
Sempre que ouço falar no Egipto, não me sai da cabeça uma conversa com a assistente social de universidade. A Miss Papa-Caloirinhos-Terrinhos adorava nas suas férias de verão viajar pelo mundo e a quando o seu regresso, enchia a cabeça aos desgraçados dos alunos que iam lá pedir para ter bolsa de estudos das suas histórias. Adoro este contraste de assistente social estilo Cruela de Ville a mostrar as suas garras nos tristes desgraçados e a rir de alto a contar as suas maravilhosas férias...e entre horas de monólogo, o desgraçado só tinha dois minutos para se defender e lutar pela sua bolsa!!! Mas o que me lembro melhor, eram as fotos da Miss C.D.V montada no camelo, montada no guia....ups!!! Essa foto nem sequer devia vir no repertório, mas naquele dia deve ter escapado :) Egipto faz-me sempre lembrar aquela foto!!!
Esperemos que a minha ida se limite a only business e que os passeios a camelo se limitem a visitar as Piramides de Gizé! Mas tenho aviso que os egipticios são de muito sangue quente.
I only care for my own Gibergeist :)

10/10/07

Próxima aventura...Asia


Confesso que vida própria é coisa de fracos.

Sair com os amigos, jantar em restaurantes indianos no bairro alto ou ir a uma sessão de strip masculino numa girls night,...pfff. Quem quer viver assim?

Por causa del trabajo de tios maiorquinos e machos, aqui a chici se vá a marchar para la Asia. Destinos: Tailandia, Vietname e also mais fora, Egypt. Bien, ir hacer milhentas horas de voo num banco da treta, com wc's de brincar à aviação...quem sabe se não está mesmo en mi sangre el sacrificio.

Amigos, amigas, familia e namorado...esqueçam-me. Eu vou, eu vou...

27/08/07

De Cancun à fuga do Dean

Trabalho,a quanto me obrigas...

Parabéns miúda, parece que vais ganhar umas viagens á conta da empresa...para trabalhar em condições adversas, debaixo de furacões e tempestades tropicias. Que dizes?

Bien, ya hablo espanholês e tengo en mi naturaleza este lado enconado de viver a vida em aventuras solas, no meio do fim do mundo...por que não?


Lá fiz a mochila, bem pequena para não ter me arriscar a extravios e perdas de tempo à espera de bagagem em paises sul americanos e lá fui eu, deslumbrada. Confesso que o deslumbramento passou após as primeiras três horas de voo até Cancún. È dose de cavalo fazer tantas horas de voo em lugares super apertados e claustrofobicos, cheios de muita gente a desmorecer o deslumbramento e a rabujice começar...

Chegas ao aeroporto, ganhas outro folego, ansiosa por chegar ao hotel e puder tomar um bom banho e dormir desmesuradamente. Mas recebes em troca uma onda de calor agoniante, humidade a 100% e uma tempestade tropical de nome Erin. Que bueno!


Mal sabia eu que o Furacão dean estava a escassas horas de chegar...

Bien, arranjar taxi em paraiso tropical parece pregrinação a Fátima. Uma dose de paciência excessiva e duas horas e meia à espera la entrei no maravilhoso mundo del Sr. Ramirez. Bem, imaginem um velhote mexicano versão Mr. Magoo...com licensa de taxista. Acho que foi a primeira vez que paguei taxi e quase que era eu tinha que levar o carro ao destino. Madre mia hombre que me quedo muerta!!!!

Mas confesso que entre arrepios na espinha a ver camioes a desviarem-se do taxi e travagens assolampadas, lá cheguei al maravilloso Resort Meliá Paradisus. Caiu-me tudo...afinal paraiso não era só de nome e se não fosse furacoes e trovões, tinha tido uma viagem de trabalho paradisiaca.

Para meter nojo, devo dizer que por erro de overbooking do hotel, fiquei numa das quatro suites presidenciais...jacuzzi na varanda, all included (massages, sauna, gym, scuba diving and so on).

È nestas altures que eu digo: muerte al trabajo!!!!!

17/06/07

A verdade é que já passaram quinze dias...

Apenas uns miseros quinze dias e estou já a reclamar dos troinos de mi pueblo e das horas perdidas em transportes para ir trabalhar e voltar ao santo regaço da casinha-ovo. Não há hipóteses de melhoras...sou portuguesa e está no meu maldito sangue reclamar com gana! Da experiência de trabalhar em Portugal, só posso dizer que tenho que sair da casca e bater os ovos, porque se continuo fechada em mim e postura séria não como omoletes. E neste ramo, saber estar e lidar com as multiplas personalidades de um sem fim de gente, é ordem do dia!!

A verdade é que estou a adorar a experiência, e adoro as pessoas com quem estou a trabalhar:

Chefe - é mesmo chefe e só ele para me deixar bem ou mal humorada :)
Sub-Chefe - trabalha que nem um mouro e aquilo de certo que tem pilhas Duralex
Chefe Mnt - Aquilo põe toda a gente em stress, calma hombre...
Chefe Pikeno - È de todos o que eu menos simpatizava e é dos que eu mais admiro
Chefe Rio - Parabéns, pois é uma pessoa espectacular.

Ainda faltam mais três, que eu ansiosa que regressem para trabalharmos todos pela nossa causa: o nosso passarão.

Trabalhar em Tugolândia

Bem, sem puder respirar muito! Chegar as 21h a Lisboa e na madrugada seguinte estar a caminho de Lx para conhecer a equipa de trabalho que durante quatro meses só conheceste por email. O choque foi estrondoso. Convenhamos que a minha mentalidade de moxa do campo não está habituada a este ambiente de executivos com escritórios de vidro no Parque das Nações.
Pedi ao Chefe Tuga: "Por favor, remeta-me a um covil empoeirado e sem luz natural, que lá estarei melhor". Então não é que as minhas preces foram atenciosamente ouvidas. Em dois dias estava de malas às costas, a caminho do cheiro a querosene e ruido ensurdecedor do nosso tão querido e estimado Aeroporto de Lisboa. E sim, vou ficar num escritório sem luz natural e sim, está com uma camada de pó em cima, que se eu fosse asmática...tinha esticado o pernil na hora!
Ah, agora sim, estou bem instalada e feliz da vida. Aqui estou como o Quasimodo estava para a Notre Damme! Sim, aqui vou ser feliz!!!

Um joka aos amigos das Arábias

Passa uma pessoa 4 meses a reclamar dos bocadillos e das panholadas, sem ter a noção do quão insignificante as reclamações são comparando com o Tó das Arábias...que tem que trabalhar dois anos no inóspito Médio Oriente. Hombre, levas a medalha, o triciclo e o prémio de consolação!!!


Acabamos por nos despedir dos nossos paises de acolhimento no mesmo dia e o regresso apenas foi a umas horas de diferença. Mas não deixas de ter razão. Sabe bem voltar a casa! E que esse sentimento perdure para toda uma vida, para darmos valor ao nosso Portugal profundo.


Ao casal do nuorte, carago, as felicidades de quem as realmente merece!

28/05/07

Finishing Countdown

Aviso a todos os desgraçados e melindrosos...estou à beira de regressar à santa terrinha: Tugolândia! ?Que hay de tan maravilloso?
Pois, depois de uns intermináveis quatros meses a trocidar o tico e o teco, a suportar Tios e Tias, bocadillos laxantes e hablar joer, conho, madre mia...nada é melhor que regressar à terra do escarra para o chão, unharra no dedo mindinho a servir de cotonete, bigode sujo do tinto com a sandes de bucho! Just love it :)
Dentro de 48 horas estarei em terras lusitânas, a embarcar em mais uma aventura e deixar Madrid e nuestros hermanos para trás. Mas no mau, não posso de deixar de elogiar os espanhois. È um povo que sabe viver, têm a Gitana nas veias e deixas-te contagiar pela sua movida. São pessoas que vivem para a vida! E daí a sua qualidade de vida ser incomparável. Adorei-vos, Zé Panhois, Marias Pantojas! Hope visit you all soon :)

16/05/07

Volver a Trypar

Refugiada no campo de concentração: Tryp Alameda Aeropuerto, já não há desculpas para n trabalhar. Mas as aventuras diminuiram e o trabalho acumulado esteve este tempo todo à minha espera. Em contagem decrescente para o regresso a Tugolândia, o ânimo ficou muito mais leve e as horas de noites mal dormidas mantêm-se, mas é por uma boa causa.

06/05/07

Homeless

Como os momentos de comédia e peripécias nunca param, tenho mais uma comédia para descrever...quem sabe não acabe num teatro da Broadway!!!
Neste momento estou literalmente sem tecto. Aqui, algures perdida nas catacumbas madrilenas. Tudo porque as minhas doces amigas do peito made in argentina, decidiram portar-se à altura das suas acções. Mais uma vez, chegas a casa para um fds descansado, a fazer planos de visitar Segóvia e Àvila e tenho a doce recepção de uma ameaça de despejo. E a ameaça é de facto uma metáfora, mas é nestas alturas que aprecio os productos portugueses.
Metes a chave à porta, entras e dás de caras com a Fêmea vestida de cordeirinho. Voz mansa, olhar de falsa compreensão. Começa logo bem com a ameaça de: ou pagas a renda ou és corrida à porrada! Humm...para os menos entendidos, no ingresso do circo pagasse o mês e um mês adiantado. Mas o que parece afinal é que algures no meio destes tão malfadados meses, o mês adiantado mudou de nome, agora chama-se mês de fiança.
E como as maravilhas nunca acabam no reino da alice, eu tinha que pagar então o mês de Maio e com sorte, ao sair ainda podia reaver alguma parte do recém-chamado mês de fiança. Bem, a pergunta fica no ar: Porquê o podia é utilizado numa frase sem lógica nenhuma? A contestação carneirina foi de que houve danos em casa durante a minha estadia e que eu deveria pagá-los.
LOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOOLOLOLOOLOLOLOLOLOLOOOLOL.
Desculpem, mas não me consegui conter e descasquei-me a rir. Ri tanto que até doía. Vá, respira. Que danos faz uma pessoa que sai as 6 da matina e chega quase as 21h, quando não é mais tarde? E que quando chega, toma banho, come uma sandes reles e vai para a cama. Bem, o desfecho estava a revelar-se, afinal de contas os vidros estalados do nada, equipamento de cozinha estragado dia sim dia não e televisão plasma novinha em folha tinham que ter uma ligação.
Ok cordeirinho, então já voltamos a falar. Back to my brooms closet, comecei a montar o puzzle de 500 peças, de grau baixo apto para crianças com um palmo de testa. Vi que aquele seria o dia da pancadaria. Esperei que o Macho chegasse e assim foi. Com sua altivez de puta ofendida, começou a desbobinar mentiras atrás de mentiras. Mas o que vale é que tantos anos na universidade me deram ferramentas: neurónios. Apontei-lhe todas as falhas no descurso dela, sem possibiliade de refutação. Mas só trouxe-a à realidade quando fui buscar a minha frigideira Tefal e encostei-a ao ecrã plasma. Agora vamos ver quem paga estes danos!!!!
Nada como recorrer à violência para ver a natureza das pessoas. De touro enraivecido para lobo esfomeado passou para um gatinho manso. Os portugueses podem ser burros porque se deixam pisar e relevar muitas vezes pessoas que não merecem...agora quando o calo começa a doer o português mostra que é violência que querem é violência que têm. Ou seja, não precisei de gastar a minha massa cinzenta, bastou recorrer aos genes e sangue na veia.
Contas pagas, dinheiro na mão, malas feitas e um sorriso de orelha a orelha, sai do circo. Posso dizer que estou bem, apesar de não ter onde ficar a viver até o meu regresso a PT. Uma pensão rasca com quartos cor de rosa e cheiro a esgoto serve perfeitamente. Finalmente consigo dormir em condições!

03/05/07

Vingança...uma novela panholesa!

Bem…

Hoje gostava de servir toda a gente cá de casa merda assada com caganitas de cebolada e como sobremesa, mousse de mijo de burro. Pois é, tem dias que eu definitivamente deixo de compreender as pessoas.

Viver com outras pessoas nunca é mau, mais que não seja porque aprendemos a lidar com as distintas personalidades e feitios, hábitos e formas de viver. E de todas as vezes que vivi com outras pessoas, confesso que correu sempre para o torto. Primeiro, era uma pessoa muito estouvada e que fazia o que lhe dava na real gana. Depois comecei a acalmar, mas continuava a fazer o que dava na real gana e agora sou a tranquilidade em pessoa mas continuo a reger-me pela gana.

Detesto viver em comunidades em que se partilha e que obriga uma pessoa a adoptar estilos de vida que não os seus. Tudo para chegar ao ponto fulcral de viver comunitariamente, uma pessoa partilha a mesma casa mas não obriga a partilhar a vida. E por vezes as pessoas não percebem isso. Eu gosto da minha solidão quanto baste, da minha privacidade sem ter que me preocupar em ter que trancar porta para mudar de roupa e aprecio os momentos de dedos de prosa na sala ou na cozinha com as aventuras do dia mas sem grandes detalhes. Respeito é um elemento muito importante na convivência salutar.

O que sempre aconteceu foi a quebra de uma das regras básicas ou até mesmo de todas. E quando isso acontece, é inevitável a ruptura. Desde que vivo nesta casa, ainda não tive um dia que pudesse dizer: sinto-me bem viver aqui.

Nada a fazer por agora, afinal de contas, já tenho os dias contados para voltar para a santa terrinha e nem me chateio. Mas tenho que procurar o lado cómico da situação. Hoje é um dos dias em que procuro na maldade uma pinga de comédia. Ora cá vai.

No meu prédio luxuoso, com quartos de arrumação alugados a tansos, se cambiaram as chaves dos elevadores. E a alminha, nem se apercebeu disso até que um dia chega a casa, carregada que nem uma mula com dois portáteis, mochila e duas sacolas com ração de combate. Já a ansiar por um elevador listo, apercebe-se que a chave mágica não manda mais no elevador submisso e o destino cruel a aguardava…as escaleras!

Três andares até não é muito e já me andava a queixar de falta de exercício físico. Peguei em tudo e lá subi as escadas energeticamente, parecia o Castelo Branco naquele programa da TVI. Que figurinha triste! Pois é, hoje não foi diferente. A chave nova continua incógnita e eu continuo muito tolerante. Mas por grande azar, a porta das escadas está fechada e hoje não existe outra forma de subir até casa, a não ser que aparecesse o Homem-Aranha! Bem, lá perdi a vergonha e começo a tocar às campainhas que já não tenha tocado nos últimos dias.

Sem sorte, decido arriscar…vou tocar á minha própria campainha! E então não é que tive a sorte desgraçada de haver alguém em casa! Uma voz semi-feminina atende. Como não distingo a Macho da Fêmea, anunciei-me e pedi se me podia enviar o ascensor para baixo. Como o intercomunicador desligou depois de proferir as minhas palavras secretas para a entrada no circo, lá fui toda contente para o elevador. Esperei, esperei e esperei! Humm, será que não espanholei como deve ser? Voltei à porta e toquei de novo na campainha mas desta vez nem resposta obtive. Deduzi que afinal já tinha entrado no circo e ainda não me tinha apercebido.

Bem, lá fui tocar ao vizinho, um velhote super simpático que tem tido a paciência de Job nestes últimos meses nas minhas infelizes peripécias. O coitado assim que ouviu a minha voz, soube o que queria e lá foi ele accionar o tão malfadado botão 0. Quando cheguei ao piso, ele estava lá à espera. Mais uma vez agradeci e lamentei o incómodo. È por causa de pessoas como este senhor que ainda acredito que há pessoas boas na vida.

Entro em casa e quem vejo, a Macho refastelada no sofá. Com um certo ar de vitória e arrogância. Agradeci-lhe pelo gesto atencioso, em tom ácido e com uma vontade de fazer o mesmo que o John Cena faz aos adversários em dias de Smack Down...LOL!

Respirei fundo e lá fui fazer a minha vidinha, comer, pôr a roupa a lavar e essas coisas aborrecidas e sem interesse nenhum. A Macho como não ficou satisfeita, decidiu aparecer pela cozinha e meter-se no meu caminho. Parei e com todo o respeito que tenho com os animais, esperei por um desviar. Como tal não aconteceu, pedi o tão conhecido “com licença”. De repente começo a ver que afinal aquele ser tinha o dom camaleónico, pois já não parecia um touro enraivecido mas sim um lobo faminto a ranger os dentes num acto de defesa. Hablou um enchurrilhos de parvoíces de que para ela eu tinha que falar com respeito e que para falar com ela tinha que falar em castelhano. Dah!!

È verdade que os animais possuem um QI invejável, comparado com certas pessoas e esta é a prova. Então não compreendo porque se gasta rios de dinheiro em investigações sofisticadíssimas para provar um facto e que eu posso facilmente afirmar!

De repente, enquanto ela estava para ali a esbracejar e a rosnar, lembrei-me daquele filme em que o Jack Nicholson fez em que se transformava em lobo. Ele conseguia ficar mesmo feio com aquela pelugem toda, mas aqui a minha cara Loba Argentina consegue bater recordes em questões de beleza. Reparei que ela tinha uma coisa nos dentes…devia ser algum resto de carniça guardada para o jantar. Decidi que devia prestar atenção ao que ela estava a dizer, afinal de contas ela estava a esforçar-se para ter a minha atenção.

Ainda tentei pronunciar algumas espanholada para ela entender, mas vi que não valia a pena. Fui fazer a minha vidinha e ela a continuar a rosnar. Quando decidi que era melhor virar-lhe costas é quando vejo uma coisa que todas nós mulheres detestam que aconteça…. A minha querida Ladra Mais Que Morde tinha uma valente mancha da sua secreta regla mensual nas suas preciosas calças brancas. Opa, que chatice, a tanga não ajuda mesmo nada e os tampões muito menos!

Bem, até ali até estava disposta a virar-lhe costas e deixá-la a falar sozinha, como muitas vezes. Mas desta, tinha que tirar partido da situação. O meu lado maquiavélico estava já a fazer grandes filmes e a relembrar as más experiências de secundário e pensos higiénicos da grossura dum livro. E qual a minha alegria, enquanto ela rosnava e grunhia, pega na sua pochete, chaves e saí furiosa de casa…é pena ela não perceber português, ainda tentei avisá-la….Opa, que chatice!


Por isso eu digo, o crime não compensa! E ás amigas do nuorte carago, Madrid está de portas abertas, agora chave de elevador nem vê-la! Vais ter que trazer o Homem-Arranha ;) para nos ajudar a entrar em casa!

Melhor impossível!

TugoManiaolado

Mais uma maravilha de viver em Madrid…o consulado português! Por motivos inerentes à vida legal de emigrante temporária a necessidade de um registo criminal é eminente! Talvez pela minha mala pinta ou por simplesmente querer voltar para Portugal num piscar de olhos, lá fui eu à net procurar informação. Como fazer para obter o meu registo criminal sem ter que voar para Portugal e deixar que a vontade de lá ficar fale mais alto? Embaixada tem um horário de trabalho estupendo e no entanto não é da sua responsabilidade documentação do género. Cabe ao consulado português, na calle Lagasca nº 80 e picos essa missão tão distinta, que abrem as 9h e terminam as 14h. E entre as delícias de passear pela área de Recoletos, lá se deu a horas pontuais com o bendito edifício.

Edifício manhoso, de estilo art eskiso e porteiro simpatiquíssimo, lá subi à quarta planta. Entra portas e obras, lá estava uma porta blindada com alto sistema de segurança. Foi preciso quase colar o nariz na câmara de videovigilância para me verem. Pronto, está bem, que sou pequena mas assim tanto convenhamos que é abuso. Lá abriram-se as portas da mina de Salomão e entrei noutra dimensão.

Agora compreendo para onde vai o dinheiro dos nossos impostos. Pois com tantos centros de saúde degradados, hospitais que chovem no interior e escolas improvisadas em contentores, compreendo agora o porquê dessa necessidade. Afinal de contas não queremos que os nossos cônsules e seus delicados funcionários façam má figura em terras de nuestros hermanos.

Eu, impávida entrei para terras lusas na 4ª planta. Senti no ar o afável acolhimento que os muitos portugueses devem sentir com uma ida ao consulado. Entrei, uma recepcionista meio tia disfarçada em morena com um sorriso falso e frio perguntou com a sua tão simpatia de cortar fatias do ar: “Diga?” Confesso que devo ter sido mal-educada, porque a minha mente por vezes deixa-me mal, pois estive a tirar as medidas à tão delicada senhora e estava a chegar à conclusão que queria ganhar o mesmo que ela e fazer o mesmo ou menos que ela quando voltei à realidade e balbuciei a que vinha. “Dirija-se a um dos guichets”, lá mais uma fatia de simpatia.

Eu devia estar mesmo com mau aspecto, porque fui olhada e analisada pelos radares. E talvez o radar dite a forma como as pessoas devem ser atendidas. Pois entre um casal novo, de bom aspecto e que ostentavam as suas tallas de marca, os sorrisos e trocas de mimos eram visíveis no guichet do Tio Cantigas. No guichet da Miss Bigode do Ano, a desgraçada senhora de cor e de aspecto humilde estava a ser atendida como um talhante lida com as carnes. Naquele momento desejei para que a Miss Bigudu não fosse a pessoa que me atendesse. Wrong!

Note-se que os ditos guichets são elegantes secretárias no dito moderno no bem acondicionado consulado. Lá calhou a minha vez. Sentei-me e esperei que a Bigodes arrumasse a papelada da pobre senhora que saíra de rabo entre as pernas e com um ar deveras triste. “Então, que deseja?” Perguntou uma voz de timbre irritante e de speaker no máximo. A cera que levava naquela manhã revelou-se benéfica e um verdadeiro amortecedor de vibrações.

Eu preciso de um registro criminal e gostaria de saber o que é necessário para o solicitar. Eu que fiz um esforço para elaborar uma frase tão bem feita, fui destronada por um irritante e megafónico: “E para que quer você um registo criminal?” Olhar inquisidor e desconfiado com os bigodes eriçados, a alminha parecia que estava diante de uma criminal, ex-reclusa ou terrorista internacional. Ora, porque será que uma pessoa se desloca a um local e solicita um registo criminal fazem logo cara de poucos amigos. Pois não tenho culpa que a companhia onde trabalho o solicite, apenas tenho que fornecer a documentação e pronto. Quando respondi, a senhora Mustache conseguiu buscar das profundezas o seu melhor agudo: “Para que raio a empresa precisa dum registo criminal? Oh minha menina, se precisa mesmo dum registo criminal é mais rápido ir a Portugal fazê-lo.”

E com esta frase, me fiquei. Então para que raio precisamos dum consulado? Afinal de contas a diferença de estar num pais estrangeiro e estar em Portugal se começava a revelar. E falamos nós mal da Tugolândia! Será que isto será um problema geográfico ou os nossos consulados de pouco servem? Aqui vai mais um referendo: È a favor da regionalização internacional?

Aqueles segundos fizeram toda a diferença na minha insignificante vida. Pois a senhora começou uma dissertação da vitimação dos serviços consulares versus os impiedosos sistemas burocráticos da santa terrinha. E com isto conseguiu a atenção dos presentes…e se a minha cabeça não fosse tão desorientada quase que me via naqueles filmes indianos em que alguém expõe o seu ponto de vista e que acaba com uma canção hindu com todos os presentes e arredores a dançar com véus e pétalas de flores coloridas num ambiente muito asiático! Mas a realidade era aquela, sem música nem floreados.

“Minha senhora…minha senhora”. Interrompi a jeito de quem está farta de conversa da treta. “Então não há uma forma então de fazer o registo ou obter o registo de outra forma, pois não tenho possibilidade de me deslocar a Portugal?” E lembrei-me: uma procuração poderia ser solução. Expus essa ideia, mas a compreensão não devia estar direccionada para o que estava a dizer e a Miss Bigode-De-Aço fez mais uma expressão digna de Hitler. “Procuração? Mas que raio quer você uma procuração? Um documento que peça a um familiar seu para que lhe faça o registo vá lá, agora uma procuração!?!”

Bem, tem dias que a Alice entra pela toca do coelho e arre que nunca mais sai de lá!

“Então, pronto, diga lá o que preciso para fazer esse documento?” E como a pergunta só é bem respondida com outra pergunta, lá veio a bomba: “E já está inscrita no consulado?” Ou seja, só poderia obter o maravilhoso documento sem nome se me inscrevesse no consulado. Respira fundo…”então o que é preciso para inscrição e tudo mais?” No meio das coisas que precisava, tanto para a inscrição como para a pseudo-procuração, por grande azar não tinha uma foto. Fui despachada à velocidade da luz, que sem foto e dados do alegado procurador, nada feito. “Volte cá quando tiver tudo!” E pronto…uma hora passada e saio de lá mais parva de que quando entrei.

Não queria deitar uma manhã, já por si perdida, fora! Teimosa, em meia hora arranjei tudo o que eventualmente poderia precisar. Ganho coragem e volto confiante que agora tudo seria mais rápido e menos doloroso auditivamente. I wish!

Eu quero crer que devia estar mesmo com muito mau aspecto. Pois volto. Primeiro, a recepcionista nem tão pouco se lembrava da minha estadia à menos de meia hora antes, volta-me a perguntar: “Diga?” Respondi que tinha estado ali há pouco e que queria dar continuação ao que vinha a fazer. “Jovem, não me lembro de todas as caras…são tantas as pessoas que entram e saem. Dirija-se ao guichet.”

Bem, eu não devia dizer isto, mas se todas as manhãs forem como a de quando estive, então a senhora sofre de amnésia. Porque aquilo não tem o ritmo das finanças em fase de entrega de IRS, nem de longe nem de perto! Bem, continuando a seca de charla.

Viro-me, já frustrada para os ditos guichets e vejo a Miss Bigudaço a levantar-se e a juntar-se à recepcionista, numa possível continuação do seu intenso trabalho…de analisar a Hola! Só me restava o outro guichet. Nele, estava sentado um senhor de aspecto muito aristocrata e de boa pinta, o já conhecido Tio Cantigas. Fez-me sinal para me sentar. “Que deseja?” Mais uma vez expliquei a minha necessidade de um registo criminal e das palavras proferidas pela sua colega de trabalho quanto à morosidade do documento, da necessidade de autorizar um familiar para a sua solicitude. Até ali ia tudo muito bem. Até referir que não estava inscrita ainda no consulado, mas que já tinha em minha posse tudo que era necessário.

O Sr. Ice in the Box, olhou para mim com o sobrolho levantado, iniciou a sessão de inquisição. Entre muitas perguntas e respostas, o tratamento foi como se eu fosse uma fulanita, como ele me chamou, e estava ali com uma tramóia qualquer. A minha paciência estava já a chegar ao extremo…mas a cada dia que passa descubro que sou muito mais paciente do que aquilo que achava. A necessidade de resolver a situação prevalecia à minha raiva e vontade de mandar aquela cambada para a puta que os pariu!


Comecei com a inscrição no consulado, um papelote da treta mas que parece vital a muito boa gente. Após algumas frases infortunadamente proferidas por tão digno senhor, sobre alguns pormenores pessoais, lá consegui conter a raiva até à bendita procuração. O que posso dizer é que levei mais de uma hora com o Tio Cantigas e saí de lá com a certeza de não voltar nunca mais.

Aos funcionários do consulado português, só lhes desejo que o Pai Natal vos traga todas as prendas que não receberam na infância, porque só assim explica a frieza e tão pouco respeito pelas pessoas que lá precisam de ir. Porque as pessoas não se distinguem pelos cargos que exercem, pelos títulos que ostentam nem pelas marcas que vestem. E se vivemos assim, aconselho a quem precise, melhor marcar umas mini-férias à santa terrinha, pois o proveito é melhor e o tratamento também!

Devoção

Sair de Madrid pode revelar-se um verdadeiro suplicio. De coche, basta um bom mapa e um pouco de coragem se consegue afastar das M-30 e M-40, as respectivas circulares que escoam o trânsito madrileno. Mas com a maravillosa semana santa, até se torna um passeio agradável, desde que saibas para onde vais. Pois bem, visitar Toledo ou outra cidade nesta altura do ano é praticamente impossível, porque os seus Tios e Tias saem das suas vidas boémias e uma vez por ano se dedicam à purificação das suas almas.

Aqui, as beatas não sobrevivem à massificação dos Tios. E é nestas alturas que vejo que afinal os espanhóis e os portugueses não são assim tão diferentes. Na minha santa terrinha, por esta altura as burras montam-se nos burros, com os seus vestidos de chita e lá vão os tristes burricos caminhar ao pueblo de todas as peregrinações. Lá se venera su Dios, disputam as bandeiras já retraçadas e cheias de manchas de cerveja e comem que nem uns cerdos à conta dos verdadeiros cristãos que poupam o ano todo para aquilo.

Aqui, os burros são substituídos por Mercedes SLK e os vestidos de chita por tallas de marca. O remate das bandeiras mantém-se mas aqui o desejo de se mostrar mais cristão que os outros ide ao ponto da dor. Os Tios oferecem-se para carregar o altar da Madre Virge de la Cabeza e chegada à hora estam eles, com os teus óculos escuros Giorgio Armani e altar em ombros. Dez minutos depois já estás a rogar por tudo quanto é praga e a dizer que a procissão nunca mais acaba. Sim, o espírito cristão prevalece!!

O caminho é feito a fingir devoção e a olhar para o decote das muitas espectadoras cristãs, mas de forma inocente. Afinal de contas olhar não arranca bocado. Após umas valentes horas de procissão, cabelo desgrenhado, óculos perdidos, suor e sangue na camisa YSL, lá se chega ao fim, a jurar que nunca mais cometem o mesmo erro e que maldita seja a mulher, que o obrigou a entrar na aventura.

Quando chegam finalmente as Tias, vêm fartas de fazer compras e a pedir para ir para casa, pois estão cansadas e que os saltos altos estão a magoar-lhes os pés! Mais umas charlas de quão devotos são e lá vão eles para as suas modestas viviendas e de alma purificada, por mais um dever cumprido!

Semana Santa...

Quando chegou a semana santa, o equivalente à nossa Páscoa, que coisa graciosa, Espanha paralisa, os espanhóis se evaporam e as estradas ficaram à minha mercê!

Até o circo fechou de férias. Ou seja, para além das calles, autovias, aparcamentos ainda tube derecho a tener lo piso para mi, solo! Que bem que soube chegar do trabalho, sentar na sala e ligar a televisão!

A pérola das seis da tarde é o jornal regional, onde sabes todas as maravillosas desgracias dos pueblos: padres amordaçados e mutilados em casa, mulheres que fizeram implantes de silicone e que sus tetas ficaran desfuermes, netos que foram retirados da tutela dos seus avuelos porque os miúdos pesam mais de 100 quilos aos 12 anos de idade e por aí adelante. Zapping implica mudar de canal mas a esquemática de programação é idêntica a quase todos os canais espanhóis. Então sabes de todas as desgraças espanholas e aguardas pelo telejornal.

Pois, descobri que aqui até o telejornal é como o jantar, tarde e a más horas. Telejornal espanhol, bien, é mesmo só telejornal espanhol, pois o resto do mundo não existe. Raras são as noticias do mundo e actualidades. Lá se ouve falar dos mortos no Iraque e lá voltamos nós ao Zapatero, ao M-11, à ETA e sus etarras e pronto. Aposto que se caísse o A380 em Portugal ou descobrissem que Bin-Ladem vivia em Sintra, no Castelo do Mouro, ninguém aqui sabia!

Bem, depois do tardíssimo telejornal, juro que não sei o que dá, mas deve ser uma telenovela de qualidade made in Madrid. Quando voltei à televisão, qual o meu espanto, ia dar a Anatomia de Grey. Logo aí as lágrimas vieram-me aos olhos, primeiro porque ia ver uma série que já vai aqui na segunda/terceira temporada mas que a história continua na mesma e segundo porque eles aqui dobram tudo!

Como um veterano de guerra, resignado à sua condição de reserva, lá me esparramei no sofá que faz cova ao meio (de quem será o cu, com muito mau feitio, que faz isto? Hum, hesito…) e lá comecei a ver os três episódios seguidos que deram. Confesso que a língua espanhola tem o seu encanto, mas que ver tudo doblado provoca stress pós-traumático. Jurei para nunca mais…inclusive, fiquei com uma dor de costas, que até hoje…

Volta TVI, estás perdoada!

Viver em Comunidade...Arre!!!

Confesso que sou uma pessoa muito caseira, que gosta muito de dormir e ficar em casa a pastelar no sofá em frente à televisão. Mas desde que cheguei a Madrid, que não tenho sofá, nem televisão nem sossego para dormir. Bem, por onde começar…?

Ter tido direito, por parte da companhia a quinze dias de hotel **** foi muito bom, mas tanta fome que eu passei. Tinha o pequeno-almoço incluído mas como saía cedo e sempre cheia de pressa (tudo para não apanhar a hora de ponta) e nunca comia em grandes condições. Almoço que era bom, nem vê-lo, porque cerca das oficinas não há nada! Então, estava mortinha por alquilar un piso. Mas tendo em conta que o aluguer de um apartamento, tipo ovo, custa o olho! Então optei por procurar uma habitación, o nosso equivalente quarto. Entre muitas aventuras habitacionais e peripécias, acabei na créme de la créme. Apartamento novo, duas casas de banho, cozinha grande, 300 euros sem gastos incluídos pelo quarto mais pequeno da casa, enfiado entre as duas casas de banho e que acredito agora que o seu propósito arquitectónico era arrumar vassouras. Pois, fiquei bem arrumada!


Agora, após os longíssimos meses, confesso que estou a viver no circo Chen. Porque é o que posso considerar desta cambada de animais e cavalgaduras. Como descrever as especimes? Um exemplar é o macho da Cuenca que eu tanto gosto de chamar Macho da Cueca, o verdadeiro MC J Suits him well! Outro exemplar é Bajadoziano, que fala à velocidade do Speedy Gonzalez e que nunca percebo. E as restantes alminhas, são carne de origem argentina, tenrinha mas indegesta! Considerando que existem apenas quatro quartos, e que nesta casa não existem parejas, então só se pode concluir que: ou os chicos dormem juntos ou as chicas partilham a mesma cama. Quem vota quem?

A resposta é fácil, até porque as descrições estão apropriadas para facilitar a resposta de perguntas difíceis. Acertaram, as chicas partilham a mesma habitación. E devo dizer que neste caso existe o macho e a fêmea da relação. A macho argentina, para além de ter um sotaque raro veste-se à soldadora do Flashdance, até o pelo é dos early 80 style! A beleza é a de um toiro enraivecido em dias de festa em Barrancos e tem um passatempo: implicar com moi méme! Já viram sorte a minha!

A fêmea, queixo duplo, boca enfiada para dentro, pequena como tudo, é a simpatia da casa. E temos conversas muito agradáveis: Porque comes tan temperano? Estais aparcando o coche mui lejos! Han hecho postre, podres comerlo! Lleba la basura cuando te salgas por la manhana.

Então para esclarecer os mais entendidos na matéria: eu como às horas de Portugal, logo é normal que jante as oito da noite. Até porque cenar quase à meia-noite deixou-me tan empanzinada, que no outro dia nem comi! Depois, eu estaciono o carro onde raio me bem apetecer e não gosto nada de andar às voltas só para estacionar mesmo à porta. Andar dois minutos até casa nunca fez mal a ninguém. Assim como, comidas espanhola, nem doce nem amarga, longe! E por último, todas as manhãs levava o lixo da casa, na primeira manhã era um saco e ao longo das semanas foi incrementando a quantidade. Pois como eu não almoço e só cozinho duas vezes por semana, comecei a achar que o meu copo do iogurte e talo da couve não justificavam carregar quem nem uma mula o lixo dos outros.


Quanto ao MC in tha house, o verdadeiro cota panhol meio tio meio tia, adora uma boa cusquice e é o verdadeiro gerador de electricidade da tenda do circo. Porque sem luz, não há espectáculo para ninguém! A verdade é que no meio desta bicharada, eu fui apanhada aqui no meio de uns triângulos, de quatro esquinas, amorosos. E se me dou bem com a fêmea, a macho começa a raspar os cascos no chão e a deitar fumo pelas ventas. Se falo com a macho ainda apanho uma cornada e depois o MC fica com ciúmes da falta de atenção…

Por Dios…tirem-me desta película!!!

21/04/07

TOLEDO...madre mia!

Finalmente consegui visitar Toledo. O truque é reservar um bilhete de tren e traquilamente lá vais tu. Lá venho eu parar a Atocha, mais uma vez. Mas confesso que não me canso e mais uma vez fico encantada com a capacidade dos espanhóis de aproveitar uma velha estação de comboio e transformá-la numa pequena floresta tropical. Mais um ponto a favor aos espanhóis. Digo-vos que sabe bem visitar uma estação de comboio tão bonita como esta.

Sentas-te um pouco à espera da tua hora e vais vendo a agitação das crianças quando estas se apercebem que este pequeno paraíso tem tortugas e ranas no pequeno lago improvisado. E o respeito pelo meio ambiente é tal que todos sabem respeitar a proibição de fumar ali. Atocha é uma forma de vida. Nem mesmo o M-11 retirou o encanto de quem passa por Atocha. Inclusive, todos os dias existem filas enormes para ver o memorial que o Ajuntamento de Madrid ergueu às vítimas. Para mim é um pouco sórdido, visitar memoriais destes e tirar fotos, como se duma recordação se tratasse. O mesmo senti quando estive no cemitério americano em Omaha Beach. Custa-me ver um local de respeito aos mortos ser tornado num roteiro turístico.

No ar sente-se uma certa apreensão a grandes multidões e a policia é uma presença habitual. Até para entrar no comboio, temos que passar bagagem, malas e casacos pelo detector de metais. Pêro, é uma medida aceitável!

Entro no comboio, muito estilo TGV e vês mais uma maravilha espanhola, carruagens de classe turística em que as plazas são espaçadas e os bancos são hiper confortáveis. Viva a classe turística da Renfe AVE.

A viagem Madrid-Toledo é pequena e não tem muito que se aponte. O industrialismo vai substituindo as árvores e muito não se pode dizer. A verdadeira surpresa é chegar a Toledo e ver a estação de comboios, arquitectura muito iglesiana e toda revestida com os tão tradicionais ladrilhos. Entras e sentes-te transportada para a época mediaval. Chão de terracota com pequenos antigos azulejos com os brazões das famílias de Toledo. O tecto, de madeira cria uma espécie de abobada de estilo mouro e pendurados, três grandes candelabros mediavais. E as pequenas janelas lá no alto, com vitrais temáticos. Parecia que tinha sido transportada para um filme do Errol Flynn, de Robin Hood.

Para turista, gosto do desconhecido, por isso raramente me faço acompanhar de guias turísticos. Mas confesso que me movo nas multidões! Aprendi que basta ver um grupo de turistas, basta segui-los e não me desapontarei! Assim, apanhei o bus 42 e não que acertei em cheio na teoria…fui levada para o centro histórico de Toledo. Que neste caso é a cidade mediaval dentro das muralhas de um castelo plantado à beira do nosso tão querido rio Tajo!

È impossível não conter a alegria! Castelo de traços muçulmanos edificado há séculos, quase que imagino homens sujos e cheios de pelo, com as suas vestimentas de couro e armaduras de ferro, acendendo toros de lenha e comerem cerdo assado no espeto que nem uns trogloditas. Sinto os odores a estrume de cavalo, porco e homens suados que não tomam banho desde o último verão! Sim, um pouco de fantasia para justificar o entusiasmo de ali estar.


Todo o autocarro, turistas americanos e muitos japoneses começaram a fazer um chinfrim, parecia que estávamos a chegar à Disneyland e toda a gente queria brincar com o Mickey. E qual não o meu espanto, parecia que Madrid em peso tinha decidido visitar Toledo. A plaza estava à pinha de gente, as calles idem idem, e quando saí do autocarro, não tinha a certeza se aquela era a minha ideia de um passeio tranquilo. Agora já não havia nada a fazer. Então lá comecei a ver as minhas amigas cascas de semente, a fazerem seu carreirinho até um banco de jardim próximo de si. E senti-me outra vez a reviver os meus tão queridos fins de semana em descoberta de Madrid…bolas!!

Como pessoa anti-social, lancei um olhar em redor, à procura de uma calle menos cheia de Hi!Ye!Really? e os típicos Kumitschuiha! Ou seja lá como se escreve. Pois acertei na mouche, a táctica numero dois revelou-se uma preciosidade, pois encontrei um mirador na encosta do castelo, com vista para o rio Tejo e quando não dou por mim a sentir o cheiro dos meus queridos bocadillos de tortilla de patata, bocadillos místicos, os tão espanholados churros de chocolate e mais uma vez, toda a cangalhada que esta gente come. Será que era pedir muito um passeio místico, de gente a menos e comida decente?

Bem, respira fundo cachopa! Também tu fazes parte da violência das margens, por isso se estás em Toledo faz como os Toledanos…

A cidade é magnífica para passeio e quem sabe passar um fim-de-semana, mas não em época alta. Fez-me lembrar um pouco o que acontece com o Algarve, durante o Inverno ninguém quer saber daquilo e os seus nativos vivem tranquilos, mas diabo ao verão que vira tudo do avesso e quem vivia sossegado no regaço do seu lar, agora nem estacionar em condições pode!

Um pouco de menos globalização fazia bem ao turismo de qualidade! Ou seja, eu poderia passear à vontade!

Adorei ver o mesmo tipo de varandins italianos, em calles estreitas mas muito mexicanas, com madeira velha e ferro fundido. Que triste não ter uma máquina fotográfica e fazer parte das multidões. Gostava de ter tirado umas fotos a aquele gato que estava languidamente deitado na sua estimada almofada, naquele varandim perfeito! E o melhor, maior parte dos edifícios históricos têm algo de interessante para ver, exposições, conversas boémias, música adequada ao ambiente. E como um bom Zé Tuga adora, à borlix!

Mas de tanto andar, estava-se a chegar a hora crítica, almoçar! Onde raio iria encontrar um restaurante que não me fizesse puxar da minha Botella Pascual Mineral e que não me obrigasse a desatar a correr para los banhos e ficar lá a passar vergonhas com os ruídos e odores? Andei por tudo quanto era beco, rua e nesga e tudo tinha nomes esquisitos e com aspecto de levar molhengas de piri-piri ou de pimenton. A fome era cada vez maior e já estava quase a render-me quando este nariz captou umas moléculas no ar que não lhe eram desconhecidas e que o instinto dizia que podia confiar. Andei mais um pouco e dei à plaza central lá do pueblo e qual a minha alegria: MacDonalds! Estava salva, não ia passar vergonha hoje!

Não é que eu seja amiga de fast-food mas nas horas de emergência, confio mais no meu MacChiken que lá nos Terneros Com Comillos e Patatas Assadas en Horno. Porque a ultima vez que caí na conversa do ternero, fiquei com uma acidez no estômago, que parecia o Jim Carrey em Eu, Ele e Irene com ataque! Depois de comer, a fome ainda continuava mas também confiava na botelha de água que vinha no menu. Não, não era a minha querida Pascual e esse foi o meu grande mistake.

Por vingança ou simplesmente cumprir com o destino, imaginem-se no meio de uma fila enorme para ver a torre, quase á beira da entrada e dar uma valente dor de barriga? Daquelas que sentes todo o corpo a tremer e a ficares com a temperatura elevadíssima. E que sabes que se te mexes, algo de muito mal pode ocorrer!?! Mas que se não sais dali, algo ainda pior vai mesmo acontecer!!!

Juro, que desde que cheguei a este país, ainda não consegui comer fora que em poucos minutos depois também não saísse fora. Um suplicio. Agora imagine-se se eu tivesse proposta de emprego na Índia ou no México! Morria de facto!

O que posso dizer é que a minha estadia em Toledo terminou aí. Mas posso fazer um roteiro turístico a todas as wc’s da santa terra e até posso mesmo eleger, numa escala de 1 a 5, qual a merecia ser a wc mais acolhedora!

Para a pior wc de Toledo está a wc MacDonalds e pormenores não dou. A com dois pontos, o arbusto por detrás da estação de autocarros do centro histórico, a vista não era grande coisa. Em terceiro, ficou a wc da pastelaria Bocadellia, que os aromas a bocadillos ajudaram na hora da decisão, vou ou não vou. Em segundo lugar, a wc do comboio, com tanto baloiçar, foram os trinta minutos mais aflitivos do dia e o grande prémio vai para….a wc de um restaurante, que tinha uma linda orquídea ao lado do lavatório e…que tinha a janela da wc ao nível da sanita e depois de muitos trovões e chuva da grossa, percebi que lá fora tinha alguém a passar na rua, a ver o meu rabo e a ouvir aquilo tudo. È o que dá ter ruas e janelas em níveis não aconselháveis para dadas circunstâncias.

Vai lá Vai !?!

Pois bem, acho que chegou a hora de saberem um pouco mais de mim. Eu sou uma pessoa desgovernada quanto a orientação, trabalho com a cabeça no ar e o meu suposto Spanish Mentor es un Tio. Para quem está familiarizado com as nossas Tias de Cascais, aqui não tem nada a ver. Aqui o Tio é o nosso Chico Esperto. A mania é que é factor comum!

O Tio cá da companhia deste mundo ibérico, deixa muito a desejar. Imaginem estarem atulhados de trabalho, ele chegar com mais uma pilha de papéis e a dizer: Mira, tengo urgencia, es mui importante hacerlo. Tienes un ratito? Ah pois, aqui rato=tempo, ratito=tempito e a melhor de todas, raton=o rato do computador! Estes espanhóis são fenomenais!

Mas onde é que eu ia? Ah, parecia mal dizer que não pois afinal, nem se notava que estava afogada em papelada e listados do tamanho das páginas amarelas. Si, entonces voy hacerlo ahora, disse feita parva. Ele volve para su oficina e eu começo a dar à unha. Esbarro logo na compreensão dos objectivos…afinal é para fazer o quê com aquilo? Levanto-me e dirijo-me à oficina do Tio e qual não é o meu espanto de ver que o grande puta madre está refastelado na sua silla a jogar solitário com uma expressão de orgulho.

Definitivamente, vou exigir um referendo: é a favor da pena de morte?

Estube diez minutos mirandolo hasta que elle sintiu que haberia alguien en su puerta, alguien mui jodida da cabeça!!!!

O homem, quando se apercebeu que eu estava a ver o lindo serviço que ele estava a fazer, mandou um pulo da cadeira tão grande que parecia que tinha visto o Alberto João Jardim em desfile de Carnaval. E a velocidade com que se endireitou na cadeira e fechou a pantalla do solitário. Maravilloso! Achou por bem desculpar-se, pondo cara de esgotamento nervoso e a dizer que estava a relaxar de um longo dia de trabalho. Tendo em conta que os espanhóis desajunam às 11h, almoçam as 14h e pico e quem em cada uma destas refeições, a duração é quase de uma hora e tal, não estou bem a ver onde ele teve tempo para stressar tanto!

Vá-se lá trabalhar com Tios!!!!

20/04/07

....me retiro!

Aconselho a qualquer pessoa que venha conhecer Madrid para visitar o Parque do Retiro, mesmo ao lado de Atocha.

Hoje estive lá a passear um pouco, e ler um o meu Constant Gardner. Começas por estranhar teres um parque daquela dimensão e não ser pago. Pois isso em Portugal era convertido em mais uma forma de fazer dinheiro. Ali, posso-me dar ao luxo de me perder e não me preocupar. Pois sempre que lá vou meto-me num caminho e descubro coisas encantadoras. Estes foram os jardins que Balzac imortalizou nuns poemas que desconheço mas que tanto apregoam os espanhóis!

Confesso que é um parque muito citadino, pois vês muita classe alta a passear lá, inclusive jet set espanhol. Pois eu não os conheço, mas como aqui a televisão vive da exploração da vida privada do jet set, não é difícil ir a andar e ouvir um casal comentar: Conho, mira! Es Fulanito que fez isto e disse aquilo! Mui bien, pois para mim é indiferente, porque a beleza do Retiro é este frenesim de classes. Pois ali vês desde o mais pobre ao mais rico e todos respiram o mesmo ar e andam pela mesma calle.

Defendo que o Retiro é o parque mais bonito do Mundo. Pois já visitei alguns países, no qual tinha eleito o Parque de Villa Burghese de Roma como o parque mais romântico, mas acabou de ser destronado. Madrid merece o meu respeito por ter aberto este espaço ao público e conseguir mantê-lo o mais limpo possível.

Bem, acabou-se os elogios. Vamos lá ao ataque!

Pois, entre a high society e o zé panhol, podes andar à vontade pelo parque e saber que a qualquer momento podes ser albarroada por um bladder todo jeitoso. Aqui patins em linha é moda, é como o piercing à Vacaréré! Mas mais que os bladders, adoro ver a moda dos joggers com as suas calcinhas de Lycra dryfit. Aqui correm que nem uns doidos e suam que nem uns cavalos. Mas espero que seja mesmo suor de verdade, não como vi hoje um a atirar água para cima só para fingir suor. Isso não vale, é batota. Porque as pessoas que passeiam exigem o verdadeiro odor. Quem fizer falta grave como este leva cartão!

Por cada glorieta encontra-se batukada, pessoal dos malabarismos, música equatoriana, musica versão Gato Preto Gato Branco, teatro de marionetas, senhores a pedir uma esmolinha e tudo o que se possa imaginar gratuito e a cravar algum! Até tem-se direito a videntes e bruxos com as suas mesinhas e chapéu a proteger das intempéries. Ah, e até pagamento Multibanco têm!

A verdade é que este parque é um achado! Porque ali, podia-se fazer uma amostra e realizar um estudo de opinião tipo: acham correcto o Sócrates ser primeiro-ministro e só ter bacharelato. Aqui, de certeza que eram obtidas respostas sólidas e fiáveis.

O Retiro não deve ser levado à letra, porque de retiro não tem muito, mas é um dos melhores lugares para passear, divertires um pouco e destressar. Quanto a ler, aí já fica difícil porque os bancos geralmente estão ocupados por um casalinho atrevido em posições kamasutricas ou então encontras as tão famosas cascas de sementes cuspidas a grande esforço. O melhor mesmo é escolher uma árvore jeitosa, e por favor não cometam o erro de certas pessoas desorientadas de origem estrangeira que se sentam debaixo duma árvore catita, se deixam dormir a ler um já mencionado livro e acordam com o repuxe da relva a trabalhar a full speed!

Também é contra-indicado adormecer quando se está só no Retiro, porque se pode acordar rodeada de men’s a curtir as suas Marias e a conspirarem de que forma se devia gamar a mochila sem que a vítima desse por isso.

16/04/07

Continuação...

Mas as maravilhas não acabaram!!

Porque sobrevive-se ao Rastro mas será que se sobrevive a Lavapies e à Latina? Pois isto é muito simples, por simples achas que tanto andaste a subir, que se passares a descer voltas a Atocha e pões-te a caminho de casa. ERRADO! Pois bastou enfiar-me na calle errada e fui parar à famosa zona boémia de Madrid:a Latina. E lá verifico uma teoria. Na minha santa terrinha, as meninas in’s são exactamente fotocópias umas das outras, 365 dias do ano, tanto que é difícil distinguir quem é quem. Pois afinal a clonagem também chegou a Madrid, mas numa variação genética de calça de cintura baixíssima, onde regos se disputam em cada mesa de esplanada e o tão misterioso piercing abaixo do canto da boca, muito ao género Ana Malhoa. Pois afinal ela foi a mãe de todas !

Basta entrares na Latina para ver que também aqui as gerações X continuam em crise, pois empunham com orgulho os seus casacos ou calças de estilo militar e a tão bonita boina berde! Cabelos desgrenhados, t-shirt do Ma Men Che e um leve aroma a Maria Joana e sabes que chegaste. Bem, não era bem o meu objectivo, mas já que investi o dia no roteiro não turístico, então força!

As ruas da Latina, sempre a descer, permitem aos muitos indianos abrir cafés e pseudo-restaurantes. A nortada deve ser tanta naquelas cabeças que nem notam a inclinação das mesas. Whatever…pormenores! Mas aqui fica o aviso, se tiverem muita fomeca, não comam a kebab. E se forem muitos sensíveis fisiologicamente, menos aconselho. Pois não cometam o erro duma pessoa que eu conheço que se perdeu na Latina, decidiu matar a fome com uma novidade rara e quase que não chegava a tempo de encontrar uma WC. Garanto-vos que o filme Em Busca de Uma WC Perdida em altura de aperto é um verdadeiro Massacre do Texas! Que piadinha cliché!

Mas melhorando a qualidade da conversa, a Latina transpira a muita Maria e faz-me lembrar o Bairro Alto, always packed! E se a confusão não chegasse começas a entrar em território Lavapies e qual o teu espanto quando vês aqui nesta mesa um grupo de pessoal fixe, mas todos eles pobres de bêbados e na mesa seguinte, uma bela jovem a levar um valente pão de quilo da miúda ao lado. A violência foi tal que a mesa virou e começou tudo à bulha. E isto era ainda uma da tarde! Decidi que era hora de encontrar o caminho de casa, porque para um dia, banho, tentativas de gamanço, desarranjo intestinal e violência gratuita chegavam por um dia.

Comecei em busca das Portas de Atocha, mas teimosa como sei ser, decidi que tinha que continuar a descer as ruas. Pois bastava ter virado logo à Lavapies e estava lá, mas não. Então continuei a descer, a ver a rotunda dos Embajadores e a Casa do Reloje. Mas sabia lá eu que tinha descido demais. Nisto tudo, cansei-me. Sentei-me na paragem mesmo em frente à dita Casa do Reloje. Para minha alegria, tive companhia pouco tempo depois, um grupo de romenos de aspecto distinto e respeitadores do ambiente. Sim, quem vier a Madrid não se admire de ver pessoas a comer sementes de sésamo e a cuspir as cascas como se dum concurso se tratasse. Em cinco minutos, já estava atascada em cascas.

Para finalizar a história, com tanta falta de sentido de orientação, agora compreendo porque levo tantos buzinões quando conduzo…não sou espanhola!

13/04/07

As delicias de viver em Madrid

Acordar pela manhã com os vizinhos de cima, numa verdadeira disputa entre Azucar Moreno e Xibita para musica não-ambiente, logo pela manhã é o sonho de qualquer português. Mas confesso que prefiro espanholada que romanada. Mas não muito distintos, o chinfrim é o mesmo! Decides que o melhor é sair de casa e dar um passeio por Madrid, afinal de contas dois meses e não conhecer as calles com a palma da mão é crime!

O verdadeiro prazer de viver em Madrid é sentir que apesar do transito caótico e bozinao a cada milisegundo, adoro quando descubro coisas novas. Dei por mim a visitar o Parque do Retiro, que é um dos muitos prazeres que os madrilenos proporcionam. Es maravilloso!

Mas tanto ar puro faz mal aos pulmões, decides que tens que conhecer a verdadeira essência do que é ser madrileno. Então sobes a calle B... que agora não me lembro, e apanhas logo com um banho de mangueira, do tão simpático senhor que liempa las calles sucias. Entre perdons e lamentos, sais fresquinha à procura de agitação. Secas o corpo e a roupa pelo caminho e por alegria dou de caras com a Plaza Maior :)

Que coisa mais latina e sentes-te de novo bem disposta. As pessoas são de uma extrema simpatia, pois esbarras entre elas e ouves o espectacular conho. A seguir vem o enxurrilho de palavras ditas a Mach 3 e desistes de entender. Mas o melhor de tudo é ver que não és só tu que acontece o mesmo. E nestas horas agradeces estar mal vestida, semi-molhada e compreendes que a tua carteira continua no mesmo sitio. Mesma sorte não tiveram os alemães cotas que espantados fotografavam a Plaza e levaram com a mesma dose e ficaram sem as carteiras...

Decides sair dali para não abusar da sorte, mas como o sentido de orientação não é dos melhores acabas no Rastro, a verdadeira feira da ladra madrilena. Lá encontra-se desde cromos de mundiais de 1980 e troca o passo até à quinquilharia de candelabros enferrujados e armações de cama do século de judas. Como a sorte acompanha os mais desafortunados nas alturas certas, consegues sair de lá inteira, com tuod o que levavas e com sorte com uns livros antigos que parecem interessantes mas que cheiram a mofo que tomba!

Com este pequeno percurso, levas quase meio dia de encontrões, tentativas de gamanço mas com um sorriso nos lábios, por saber que há vida nesta cidade que começa a nascer a meus olhos :)

11/04/07

O Renascer da Botella Pascual

Não é que todos os dias me queixe, mas a verdade é que todos os dias me levanto temprano para caraças e me salgo para o catano do frio que vai na calle. Como se não bastasse, tenho que lidar todos os dias com o Tio e almoçar que é bom nada. Desde que cheguei a Madrid, devo dizer que foram poucas as vezes que consegui comer fora, ou mesmo até conseguir comer.

Quem se lembra de fazer uma sandes de metro e meio e chamar-lhe bocadillo. Deveriam chamar-los bocadões. E para um espanhol, comer um bocadillo é sacrilégio. Entao ao desajuno, se toma o café (que se for á nossa tão deliciosa bica = café solo) e a patissarias, ou seja a porcaria de bolos de todas as formas e cheias de cremes de elevado teor colesterólico :)

Então, a boa bucha tuga de galão com uma sandocha de queijo e fiambre é o equivalente espanhol a café con leche e um bocadillo de quejo e jamon cosido. A verdadeira missão impossivel, é encontrar o fiambre. Porque aqui jamon é o nosso presunto. E eu que não suporto presunto já é por duas vezes que sou enrrabbdada com esta.

Entre aventuras de desajunos e almoços...almoçar aqui só a partir das 14.30h para a frente. Sopa, nem vê-la mas comes um primero plato:massas de tomadada e tudo que se possa imaginar que possa servir de entrada com molhos de todas as formas e feitios. Depois temos direito ao segundo plato: todo o tipo de mistela que escorra da cucharra do cozinheiro para o raio do prato.....

Com isto tudo, só posso dizer que confio no vaso de agua ou uma botella ensanatizada!!!
Vou começar a fazer contagem decrescente para o meu bacalhão com grão e cozido à portuguesa.... ai que fome!!! :(