03/05/07

Vingança...uma novela panholesa!

Bem…

Hoje gostava de servir toda a gente cá de casa merda assada com caganitas de cebolada e como sobremesa, mousse de mijo de burro. Pois é, tem dias que eu definitivamente deixo de compreender as pessoas.

Viver com outras pessoas nunca é mau, mais que não seja porque aprendemos a lidar com as distintas personalidades e feitios, hábitos e formas de viver. E de todas as vezes que vivi com outras pessoas, confesso que correu sempre para o torto. Primeiro, era uma pessoa muito estouvada e que fazia o que lhe dava na real gana. Depois comecei a acalmar, mas continuava a fazer o que dava na real gana e agora sou a tranquilidade em pessoa mas continuo a reger-me pela gana.

Detesto viver em comunidades em que se partilha e que obriga uma pessoa a adoptar estilos de vida que não os seus. Tudo para chegar ao ponto fulcral de viver comunitariamente, uma pessoa partilha a mesma casa mas não obriga a partilhar a vida. E por vezes as pessoas não percebem isso. Eu gosto da minha solidão quanto baste, da minha privacidade sem ter que me preocupar em ter que trancar porta para mudar de roupa e aprecio os momentos de dedos de prosa na sala ou na cozinha com as aventuras do dia mas sem grandes detalhes. Respeito é um elemento muito importante na convivência salutar.

O que sempre aconteceu foi a quebra de uma das regras básicas ou até mesmo de todas. E quando isso acontece, é inevitável a ruptura. Desde que vivo nesta casa, ainda não tive um dia que pudesse dizer: sinto-me bem viver aqui.

Nada a fazer por agora, afinal de contas, já tenho os dias contados para voltar para a santa terrinha e nem me chateio. Mas tenho que procurar o lado cómico da situação. Hoje é um dos dias em que procuro na maldade uma pinga de comédia. Ora cá vai.

No meu prédio luxuoso, com quartos de arrumação alugados a tansos, se cambiaram as chaves dos elevadores. E a alminha, nem se apercebeu disso até que um dia chega a casa, carregada que nem uma mula com dois portáteis, mochila e duas sacolas com ração de combate. Já a ansiar por um elevador listo, apercebe-se que a chave mágica não manda mais no elevador submisso e o destino cruel a aguardava…as escaleras!

Três andares até não é muito e já me andava a queixar de falta de exercício físico. Peguei em tudo e lá subi as escadas energeticamente, parecia o Castelo Branco naquele programa da TVI. Que figurinha triste! Pois é, hoje não foi diferente. A chave nova continua incógnita e eu continuo muito tolerante. Mas por grande azar, a porta das escadas está fechada e hoje não existe outra forma de subir até casa, a não ser que aparecesse o Homem-Aranha! Bem, lá perdi a vergonha e começo a tocar às campainhas que já não tenha tocado nos últimos dias.

Sem sorte, decido arriscar…vou tocar á minha própria campainha! E então não é que tive a sorte desgraçada de haver alguém em casa! Uma voz semi-feminina atende. Como não distingo a Macho da Fêmea, anunciei-me e pedi se me podia enviar o ascensor para baixo. Como o intercomunicador desligou depois de proferir as minhas palavras secretas para a entrada no circo, lá fui toda contente para o elevador. Esperei, esperei e esperei! Humm, será que não espanholei como deve ser? Voltei à porta e toquei de novo na campainha mas desta vez nem resposta obtive. Deduzi que afinal já tinha entrado no circo e ainda não me tinha apercebido.

Bem, lá fui tocar ao vizinho, um velhote super simpático que tem tido a paciência de Job nestes últimos meses nas minhas infelizes peripécias. O coitado assim que ouviu a minha voz, soube o que queria e lá foi ele accionar o tão malfadado botão 0. Quando cheguei ao piso, ele estava lá à espera. Mais uma vez agradeci e lamentei o incómodo. È por causa de pessoas como este senhor que ainda acredito que há pessoas boas na vida.

Entro em casa e quem vejo, a Macho refastelada no sofá. Com um certo ar de vitória e arrogância. Agradeci-lhe pelo gesto atencioso, em tom ácido e com uma vontade de fazer o mesmo que o John Cena faz aos adversários em dias de Smack Down...LOL!

Respirei fundo e lá fui fazer a minha vidinha, comer, pôr a roupa a lavar e essas coisas aborrecidas e sem interesse nenhum. A Macho como não ficou satisfeita, decidiu aparecer pela cozinha e meter-se no meu caminho. Parei e com todo o respeito que tenho com os animais, esperei por um desviar. Como tal não aconteceu, pedi o tão conhecido “com licença”. De repente começo a ver que afinal aquele ser tinha o dom camaleónico, pois já não parecia um touro enraivecido mas sim um lobo faminto a ranger os dentes num acto de defesa. Hablou um enchurrilhos de parvoíces de que para ela eu tinha que falar com respeito e que para falar com ela tinha que falar em castelhano. Dah!!

È verdade que os animais possuem um QI invejável, comparado com certas pessoas e esta é a prova. Então não compreendo porque se gasta rios de dinheiro em investigações sofisticadíssimas para provar um facto e que eu posso facilmente afirmar!

De repente, enquanto ela estava para ali a esbracejar e a rosnar, lembrei-me daquele filme em que o Jack Nicholson fez em que se transformava em lobo. Ele conseguia ficar mesmo feio com aquela pelugem toda, mas aqui a minha cara Loba Argentina consegue bater recordes em questões de beleza. Reparei que ela tinha uma coisa nos dentes…devia ser algum resto de carniça guardada para o jantar. Decidi que devia prestar atenção ao que ela estava a dizer, afinal de contas ela estava a esforçar-se para ter a minha atenção.

Ainda tentei pronunciar algumas espanholada para ela entender, mas vi que não valia a pena. Fui fazer a minha vidinha e ela a continuar a rosnar. Quando decidi que era melhor virar-lhe costas é quando vejo uma coisa que todas nós mulheres detestam que aconteça…. A minha querida Ladra Mais Que Morde tinha uma valente mancha da sua secreta regla mensual nas suas preciosas calças brancas. Opa, que chatice, a tanga não ajuda mesmo nada e os tampões muito menos!

Bem, até ali até estava disposta a virar-lhe costas e deixá-la a falar sozinha, como muitas vezes. Mas desta, tinha que tirar partido da situação. O meu lado maquiavélico estava já a fazer grandes filmes e a relembrar as más experiências de secundário e pensos higiénicos da grossura dum livro. E qual a minha alegria, enquanto ela rosnava e grunhia, pega na sua pochete, chaves e saí furiosa de casa…é pena ela não perceber português, ainda tentei avisá-la….Opa, que chatice!


Por isso eu digo, o crime não compensa! E ás amigas do nuorte carago, Madrid está de portas abertas, agora chave de elevador nem vê-la! Vais ter que trazer o Homem-Arranha ;) para nos ajudar a entrar em casa!

Melhor impossível!

1 comentário:

Nídia Nobre disse...

Bom... que dizer... Canieco!!! Volta que tás perdoada!!! ;)