Sair de Madrid pode revelar-se um verdadeiro suplicio. De coche, basta um bom mapa e um pouco de coragem se consegue afastar das M-30 e M-40, as respectivas circulares que escoam o trânsito madrileno. Mas com a maravillosa semana santa, até se torna um passeio agradável, desde que saibas para onde vais. Pois bem, visitar Toledo ou outra cidade nesta altura do ano é praticamente impossível, porque os seus Tios e Tias saem das suas vidas boémias e uma vez por ano se dedicam à purificação das suas almas.
Aqui, as beatas não sobrevivem à massificação dos Tios. E é nestas alturas que vejo que afinal os espanhóis e os portugueses não são assim tão diferentes. Na minha santa terrinha, por esta altura as burras montam-se nos burros, com os seus vestidos de chita e lá vão os tristes burricos caminhar ao pueblo de todas as peregrinações. Lá se venera su Dios, disputam as bandeiras já retraçadas e cheias de manchas de cerveja e comem que nem uns cerdos à conta dos verdadeiros cristãos que poupam o ano todo para aquilo.
Aqui, os burros são substituídos por Mercedes SLK e os vestidos de chita por tallas de marca. O remate das bandeiras mantém-se mas aqui o desejo de se mostrar mais cristão que os outros ide ao ponto da dor. Os Tios oferecem-se para carregar o altar da Madre Virge de la Cabeza e chegada à hora estam eles, com os teus óculos escuros Giorgio Armani e altar em ombros. Dez minutos depois já estás a rogar por tudo quanto é praga e a dizer que a procissão nunca mais acaba. Sim, o espírito cristão prevalece!!
O caminho é feito a fingir devoção e a olhar para o decote das muitas espectadoras cristãs, mas de forma inocente. Afinal de contas olhar não arranca bocado. Após umas valentes horas de procissão, cabelo desgrenhado, óculos perdidos, suor e sangue na camisa YSL, lá se chega ao fim, a jurar que nunca mais cometem o mesmo erro e que maldita seja a mulher, que o obrigou a entrar na aventura.
Quando chegam finalmente as Tias, vêm fartas de fazer compras e a pedir para ir para casa, pois estão cansadas e que os saltos altos estão a magoar-lhes os pés! Mais umas charlas de quão devotos são e lá vão eles para as suas modestas viviendas e de alma purificada, por mais um dever cumprido!
Aqui, as beatas não sobrevivem à massificação dos Tios. E é nestas alturas que vejo que afinal os espanhóis e os portugueses não são assim tão diferentes. Na minha santa terrinha, por esta altura as burras montam-se nos burros, com os seus vestidos de chita e lá vão os tristes burricos caminhar ao pueblo de todas as peregrinações. Lá se venera su Dios, disputam as bandeiras já retraçadas e cheias de manchas de cerveja e comem que nem uns cerdos à conta dos verdadeiros cristãos que poupam o ano todo para aquilo.
Aqui, os burros são substituídos por Mercedes SLK e os vestidos de chita por tallas de marca. O remate das bandeiras mantém-se mas aqui o desejo de se mostrar mais cristão que os outros ide ao ponto da dor. Os Tios oferecem-se para carregar o altar da Madre Virge de la Cabeza e chegada à hora estam eles, com os teus óculos escuros Giorgio Armani e altar em ombros. Dez minutos depois já estás a rogar por tudo quanto é praga e a dizer que a procissão nunca mais acaba. Sim, o espírito cristão prevalece!!
O caminho é feito a fingir devoção e a olhar para o decote das muitas espectadoras cristãs, mas de forma inocente. Afinal de contas olhar não arranca bocado. Após umas valentes horas de procissão, cabelo desgrenhado, óculos perdidos, suor e sangue na camisa YSL, lá se chega ao fim, a jurar que nunca mais cometem o mesmo erro e que maldita seja a mulher, que o obrigou a entrar na aventura.
Quando chegam finalmente as Tias, vêm fartas de fazer compras e a pedir para ir para casa, pois estão cansadas e que os saltos altos estão a magoar-lhes os pés! Mais umas charlas de quão devotos são e lá vão eles para as suas modestas viviendas e de alma purificada, por mais um dever cumprido!

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