06/05/07

Homeless

Como os momentos de comédia e peripécias nunca param, tenho mais uma comédia para descrever...quem sabe não acabe num teatro da Broadway!!!
Neste momento estou literalmente sem tecto. Aqui, algures perdida nas catacumbas madrilenas. Tudo porque as minhas doces amigas do peito made in argentina, decidiram portar-se à altura das suas acções. Mais uma vez, chegas a casa para um fds descansado, a fazer planos de visitar Segóvia e Àvila e tenho a doce recepção de uma ameaça de despejo. E a ameaça é de facto uma metáfora, mas é nestas alturas que aprecio os productos portugueses.
Metes a chave à porta, entras e dás de caras com a Fêmea vestida de cordeirinho. Voz mansa, olhar de falsa compreensão. Começa logo bem com a ameaça de: ou pagas a renda ou és corrida à porrada! Humm...para os menos entendidos, no ingresso do circo pagasse o mês e um mês adiantado. Mas o que parece afinal é que algures no meio destes tão malfadados meses, o mês adiantado mudou de nome, agora chama-se mês de fiança.
E como as maravilhas nunca acabam no reino da alice, eu tinha que pagar então o mês de Maio e com sorte, ao sair ainda podia reaver alguma parte do recém-chamado mês de fiança. Bem, a pergunta fica no ar: Porquê o podia é utilizado numa frase sem lógica nenhuma? A contestação carneirina foi de que houve danos em casa durante a minha estadia e que eu deveria pagá-los.
LOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOOLOLOLOOLOLOLOLOLOLOOOLOL.
Desculpem, mas não me consegui conter e descasquei-me a rir. Ri tanto que até doía. Vá, respira. Que danos faz uma pessoa que sai as 6 da matina e chega quase as 21h, quando não é mais tarde? E que quando chega, toma banho, come uma sandes reles e vai para a cama. Bem, o desfecho estava a revelar-se, afinal de contas os vidros estalados do nada, equipamento de cozinha estragado dia sim dia não e televisão plasma novinha em folha tinham que ter uma ligação.
Ok cordeirinho, então já voltamos a falar. Back to my brooms closet, comecei a montar o puzzle de 500 peças, de grau baixo apto para crianças com um palmo de testa. Vi que aquele seria o dia da pancadaria. Esperei que o Macho chegasse e assim foi. Com sua altivez de puta ofendida, começou a desbobinar mentiras atrás de mentiras. Mas o que vale é que tantos anos na universidade me deram ferramentas: neurónios. Apontei-lhe todas as falhas no descurso dela, sem possibiliade de refutação. Mas só trouxe-a à realidade quando fui buscar a minha frigideira Tefal e encostei-a ao ecrã plasma. Agora vamos ver quem paga estes danos!!!!
Nada como recorrer à violência para ver a natureza das pessoas. De touro enraivecido para lobo esfomeado passou para um gatinho manso. Os portugueses podem ser burros porque se deixam pisar e relevar muitas vezes pessoas que não merecem...agora quando o calo começa a doer o português mostra que é violência que querem é violência que têm. Ou seja, não precisei de gastar a minha massa cinzenta, bastou recorrer aos genes e sangue na veia.
Contas pagas, dinheiro na mão, malas feitas e um sorriso de orelha a orelha, sai do circo. Posso dizer que estou bem, apesar de não ter onde ficar a viver até o meu regresso a PT. Uma pensão rasca com quartos cor de rosa e cheiro a esgoto serve perfeitamente. Finalmente consigo dormir em condições!

1 comentário:

Nídia Nobre disse...

Incrível! É que as mulheres, mesmo quando gostam de mulheres, não conseguem ser boas para com as outras!!! Deixa lá, acho preferível a pensão rasca!!! E já faltou mais para voltares para Lisboa! Força!