Finalmente consegui visitar Toledo. O truque é reservar um bilhete de tren e traquilamente lá vais tu. Lá venho eu parar a Atocha, mais uma vez. Mas confesso que não me canso e mais uma vez fico encantada com a capacidade dos espanhóis de aproveitar uma velha estação de comboio e transformá-la numa pequena floresta tropical. Mais um ponto a favor aos espanhóis. Digo-vos que sabe bem visitar uma estação de comboio tão bonita como esta.
Sentas-te um pouco à espera da tua hora e vais vendo a agitação das crianças quando estas se apercebem que este pequeno paraíso tem tortugas e ranas no pequeno lago improvisado. E o respeito pelo meio ambiente é tal que todos sabem respeitar a proibição de fumar ali. Atocha é uma forma de vida. Nem mesmo o M-11 retirou o encanto de quem passa por Atocha. Inclusive, todos os dias existem filas enormes para ver o memorial que o Ajuntamento de Madrid ergueu às vítimas. Para mim é um pouco sórdido, visitar memoriais destes e tirar fotos, como se duma recordação se tratasse. O mesmo senti quando estive no cemitério americano em Omaha Beach. Custa-me ver um local de respeito aos mortos ser tornado num roteiro turístico.
No ar sente-se uma certa apreensão a grandes multidões e a policia é uma presença habitual. Até para entrar no comboio, temos que passar bagagem, malas e casacos pelo detector de metais. Pêro, é uma medida aceitável!
Entro no comboio, muito estilo TGV e vês mais uma maravilha espanhola, carruagens de classe turística em que as plazas são espaçadas e os bancos são hiper confortáveis. Viva a classe turística da Renfe AVE.
A viagem Madrid-Toledo é pequena e não tem muito que se aponte. O industrialismo vai substituindo as árvores e muito não se pode dizer. A verdadeira surpresa é chegar a Toledo e ver a estação de comboios, arquitectura muito iglesiana e toda revestida com os tão tradicionais ladrilhos. Entras e sentes-te transportada para a época mediaval. Chão de terracota com pequenos antigos azulejos com os brazões das famílias de Toledo. O tecto, de madeira cria uma espécie de abobada de estilo mouro e pendurados, três grandes candelabros mediavais. E as pequenas janelas lá no alto, com vitrais temáticos. Parecia que tinha sido transportada para um filme do Errol Flynn, de Robin Hood.
Para turista, gosto do desconhecido, por isso raramente me faço acompanhar de guias turísticos. Mas confesso que me movo nas multidões! Aprendi que basta ver um grupo de turistas, basta segui-los e não me desapontarei! Assim, apanhei o bus 42 e não que acertei em cheio na teoria…fui levada para o centro histórico de Toledo. Que neste caso é a cidade mediaval dentro das muralhas de um castelo plantado à beira do nosso tão querido rio Tajo!
È impossível não conter a alegria! Castelo de traços muçulmanos edificado há séculos, quase que imagino homens sujos e cheios de pelo, com as suas vestimentas de couro e armaduras de ferro, acendendo toros de lenha e comerem cerdo assado no espeto que nem uns trogloditas. Sinto os odores a estrume de cavalo, porco e homens suados que não tomam banho desde o último verão! Sim, um pouco de fantasia para justificar o entusiasmo de ali estar.
Todo o autocarro, turistas americanos e muitos japoneses começaram a fazer um chinfrim, parecia que estávamos a chegar à Disneyland e toda a gente queria brincar com o Mickey. E qual não o meu espanto, parecia que Madrid em peso tinha decidido visitar Toledo. A plaza estava à pinha de gente, as calles idem idem, e quando saí do autocarro, não tinha a certeza se aquela era a minha ideia de um passeio tranquilo. Agora já não havia nada a fazer. Então lá comecei a ver as minhas amigas cascas de semente, a fazerem seu carreirinho até um banco de jardim próximo de si. E senti-me outra vez a reviver os meus tão queridos fins de semana em descoberta de Madrid…bolas!!
Como pessoa anti-social, lancei um olhar em redor, à procura de uma calle menos cheia de Hi!Ye!Really? e os típicos Kumitschuiha! Ou seja lá como se escreve. Pois acertei na mouche, a táctica numero dois revelou-se uma preciosidade, pois encontrei um mirador na encosta do castelo, com vista para o rio Tejo e quando não dou por mim a sentir o cheiro dos meus queridos bocadillos de tortilla de patata, bocadillos místicos, os tão espanholados churros de chocolate e mais uma vez, toda a cangalhada que esta gente come. Será que era pedir muito um passeio místico, de gente a menos e comida decente?
Bem, respira fundo cachopa! Também tu fazes parte da violência das margens, por isso se estás em Toledo faz como os Toledanos…
A cidade é magnífica para passeio e quem sabe passar um fim-de-semana, mas não em época alta. Fez-me lembrar um pouco o que acontece com o Algarve, durante o Inverno ninguém quer saber daquilo e os seus nativos vivem tranquilos, mas diabo ao verão que vira tudo do avesso e quem vivia sossegado no regaço do seu lar, agora nem estacionar em condições pode!
Um pouco de menos globalização fazia bem ao turismo de qualidade! Ou seja, eu poderia passear à vontade!
Adorei ver o mesmo tipo de varandins italianos, em calles estreitas mas muito mexicanas, com madeira velha e ferro fundido. Que triste não ter uma máquina fotográfica e fazer parte das multidões. Gostava de ter tirado umas fotos a aquele gato que estava languidamente deitado na sua estimada almofada, naquele varandim perfeito! E o melhor, maior parte dos edifícios históricos têm algo de interessante para ver, exposições, conversas boémias, música adequada ao ambiente. E como um bom Zé Tuga adora, à borlix!
Mas de tanto andar, estava-se a chegar a hora crítica, almoçar! Onde raio iria encontrar um restaurante que não me fizesse puxar da minha Botella Pascual Mineral e que não me obrigasse a desatar a correr para los banhos e ficar lá a passar vergonhas com os ruídos e odores? Andei por tudo quanto era beco, rua e nesga e tudo tinha nomes esquisitos e com aspecto de levar molhengas de piri-piri ou de pimenton. A fome era cada vez maior e já estava quase a render-me quando este nariz captou umas moléculas no ar que não lhe eram desconhecidas e que o instinto dizia que podia confiar. Andei mais um pouco e dei à plaza central lá do pueblo e qual a minha alegria: MacDonalds! Estava salva, não ia passar vergonha hoje!
Não é que eu seja amiga de fast-food mas nas horas de emergência, confio mais no meu MacChiken que lá nos Terneros Com Comillos e Patatas Assadas en Horno. Porque a ultima vez que caí na conversa do ternero, fiquei com uma acidez no estômago, que parecia o Jim Carrey em Eu, Ele e Irene com ataque! Depois de comer, a fome ainda continuava mas também confiava na botelha de água que vinha no menu. Não, não era a minha querida Pascual e esse foi o meu grande mistake.
Por vingança ou simplesmente cumprir com o destino, imaginem-se no meio de uma fila enorme para ver a torre, quase á beira da entrada e dar uma valente dor de barriga? Daquelas que sentes todo o corpo a tremer e a ficares com a temperatura elevadíssima. E que sabes que se te mexes, algo de muito mal pode ocorrer!?! Mas que se não sais dali, algo ainda pior vai mesmo acontecer!!!
Juro, que desde que cheguei a este país, ainda não consegui comer fora que em poucos minutos depois também não saísse fora. Um suplicio. Agora imagine-se se eu tivesse proposta de emprego na Índia ou no México! Morria de facto!
O que posso dizer é que a minha estadia em Toledo terminou aí. Mas posso fazer um roteiro turístico a todas as wc’s da santa terra e até posso mesmo eleger, numa escala de 1 a 5, qual a merecia ser a wc mais acolhedora!
Para a pior wc de Toledo está a wc MacDonalds e pormenores não dou. A com dois pontos, o arbusto por detrás da estação de autocarros do centro histórico, a vista não era grande coisa. Em terceiro, ficou a wc da pastelaria Bocadellia, que os aromas a bocadillos ajudaram na hora da decisão, vou ou não vou. Em segundo lugar, a wc do comboio, com tanto baloiçar, foram os trinta minutos mais aflitivos do dia e o grande prémio vai para….a wc de um restaurante, que tinha uma linda orquídea ao lado do lavatório e…que tinha a janela da wc ao nível da sanita e depois de muitos trovões e chuva da grossa, percebi que lá fora tinha alguém a passar na rua, a ver o meu rabo e a ouvir aquilo tudo. È o que dá ter ruas e janelas em níveis não aconselháveis para dadas circunstâncias.
Sentas-te um pouco à espera da tua hora e vais vendo a agitação das crianças quando estas se apercebem que este pequeno paraíso tem tortugas e ranas no pequeno lago improvisado. E o respeito pelo meio ambiente é tal que todos sabem respeitar a proibição de fumar ali. Atocha é uma forma de vida. Nem mesmo o M-11 retirou o encanto de quem passa por Atocha. Inclusive, todos os dias existem filas enormes para ver o memorial que o Ajuntamento de Madrid ergueu às vítimas. Para mim é um pouco sórdido, visitar memoriais destes e tirar fotos, como se duma recordação se tratasse. O mesmo senti quando estive no cemitério americano em Omaha Beach. Custa-me ver um local de respeito aos mortos ser tornado num roteiro turístico.
No ar sente-se uma certa apreensão a grandes multidões e a policia é uma presença habitual. Até para entrar no comboio, temos que passar bagagem, malas e casacos pelo detector de metais. Pêro, é uma medida aceitável!
Entro no comboio, muito estilo TGV e vês mais uma maravilha espanhola, carruagens de classe turística em que as plazas são espaçadas e os bancos são hiper confortáveis. Viva a classe turística da Renfe AVE.
A viagem Madrid-Toledo é pequena e não tem muito que se aponte. O industrialismo vai substituindo as árvores e muito não se pode dizer. A verdadeira surpresa é chegar a Toledo e ver a estação de comboios, arquitectura muito iglesiana e toda revestida com os tão tradicionais ladrilhos. Entras e sentes-te transportada para a época mediaval. Chão de terracota com pequenos antigos azulejos com os brazões das famílias de Toledo. O tecto, de madeira cria uma espécie de abobada de estilo mouro e pendurados, três grandes candelabros mediavais. E as pequenas janelas lá no alto, com vitrais temáticos. Parecia que tinha sido transportada para um filme do Errol Flynn, de Robin Hood.
Para turista, gosto do desconhecido, por isso raramente me faço acompanhar de guias turísticos. Mas confesso que me movo nas multidões! Aprendi que basta ver um grupo de turistas, basta segui-los e não me desapontarei! Assim, apanhei o bus 42 e não que acertei em cheio na teoria…fui levada para o centro histórico de Toledo. Que neste caso é a cidade mediaval dentro das muralhas de um castelo plantado à beira do nosso tão querido rio Tajo!
È impossível não conter a alegria! Castelo de traços muçulmanos edificado há séculos, quase que imagino homens sujos e cheios de pelo, com as suas vestimentas de couro e armaduras de ferro, acendendo toros de lenha e comerem cerdo assado no espeto que nem uns trogloditas. Sinto os odores a estrume de cavalo, porco e homens suados que não tomam banho desde o último verão! Sim, um pouco de fantasia para justificar o entusiasmo de ali estar.
Todo o autocarro, turistas americanos e muitos japoneses começaram a fazer um chinfrim, parecia que estávamos a chegar à Disneyland e toda a gente queria brincar com o Mickey. E qual não o meu espanto, parecia que Madrid em peso tinha decidido visitar Toledo. A plaza estava à pinha de gente, as calles idem idem, e quando saí do autocarro, não tinha a certeza se aquela era a minha ideia de um passeio tranquilo. Agora já não havia nada a fazer. Então lá comecei a ver as minhas amigas cascas de semente, a fazerem seu carreirinho até um banco de jardim próximo de si. E senti-me outra vez a reviver os meus tão queridos fins de semana em descoberta de Madrid…bolas!!
Como pessoa anti-social, lancei um olhar em redor, à procura de uma calle menos cheia de Hi!Ye!Really? e os típicos Kumitschuiha! Ou seja lá como se escreve. Pois acertei na mouche, a táctica numero dois revelou-se uma preciosidade, pois encontrei um mirador na encosta do castelo, com vista para o rio Tejo e quando não dou por mim a sentir o cheiro dos meus queridos bocadillos de tortilla de patata, bocadillos místicos, os tão espanholados churros de chocolate e mais uma vez, toda a cangalhada que esta gente come. Será que era pedir muito um passeio místico, de gente a menos e comida decente?
Bem, respira fundo cachopa! Também tu fazes parte da violência das margens, por isso se estás em Toledo faz como os Toledanos…
A cidade é magnífica para passeio e quem sabe passar um fim-de-semana, mas não em época alta. Fez-me lembrar um pouco o que acontece com o Algarve, durante o Inverno ninguém quer saber daquilo e os seus nativos vivem tranquilos, mas diabo ao verão que vira tudo do avesso e quem vivia sossegado no regaço do seu lar, agora nem estacionar em condições pode!
Um pouco de menos globalização fazia bem ao turismo de qualidade! Ou seja, eu poderia passear à vontade!
Adorei ver o mesmo tipo de varandins italianos, em calles estreitas mas muito mexicanas, com madeira velha e ferro fundido. Que triste não ter uma máquina fotográfica e fazer parte das multidões. Gostava de ter tirado umas fotos a aquele gato que estava languidamente deitado na sua estimada almofada, naquele varandim perfeito! E o melhor, maior parte dos edifícios históricos têm algo de interessante para ver, exposições, conversas boémias, música adequada ao ambiente. E como um bom Zé Tuga adora, à borlix!
Mas de tanto andar, estava-se a chegar a hora crítica, almoçar! Onde raio iria encontrar um restaurante que não me fizesse puxar da minha Botella Pascual Mineral e que não me obrigasse a desatar a correr para los banhos e ficar lá a passar vergonhas com os ruídos e odores? Andei por tudo quanto era beco, rua e nesga e tudo tinha nomes esquisitos e com aspecto de levar molhengas de piri-piri ou de pimenton. A fome era cada vez maior e já estava quase a render-me quando este nariz captou umas moléculas no ar que não lhe eram desconhecidas e que o instinto dizia que podia confiar. Andei mais um pouco e dei à plaza central lá do pueblo e qual a minha alegria: MacDonalds! Estava salva, não ia passar vergonha hoje!
Não é que eu seja amiga de fast-food mas nas horas de emergência, confio mais no meu MacChiken que lá nos Terneros Com Comillos e Patatas Assadas en Horno. Porque a ultima vez que caí na conversa do ternero, fiquei com uma acidez no estômago, que parecia o Jim Carrey em Eu, Ele e Irene com ataque! Depois de comer, a fome ainda continuava mas também confiava na botelha de água que vinha no menu. Não, não era a minha querida Pascual e esse foi o meu grande mistake.
Por vingança ou simplesmente cumprir com o destino, imaginem-se no meio de uma fila enorme para ver a torre, quase á beira da entrada e dar uma valente dor de barriga? Daquelas que sentes todo o corpo a tremer e a ficares com a temperatura elevadíssima. E que sabes que se te mexes, algo de muito mal pode ocorrer!?! Mas que se não sais dali, algo ainda pior vai mesmo acontecer!!!
Juro, que desde que cheguei a este país, ainda não consegui comer fora que em poucos minutos depois também não saísse fora. Um suplicio. Agora imagine-se se eu tivesse proposta de emprego na Índia ou no México! Morria de facto!
O que posso dizer é que a minha estadia em Toledo terminou aí. Mas posso fazer um roteiro turístico a todas as wc’s da santa terra e até posso mesmo eleger, numa escala de 1 a 5, qual a merecia ser a wc mais acolhedora!
Para a pior wc de Toledo está a wc MacDonalds e pormenores não dou. A com dois pontos, o arbusto por detrás da estação de autocarros do centro histórico, a vista não era grande coisa. Em terceiro, ficou a wc da pastelaria Bocadellia, que os aromas a bocadillos ajudaram na hora da decisão, vou ou não vou. Em segundo lugar, a wc do comboio, com tanto baloiçar, foram os trinta minutos mais aflitivos do dia e o grande prémio vai para….a wc de um restaurante, que tinha uma linda orquídea ao lado do lavatório e…que tinha a janela da wc ao nível da sanita e depois de muitos trovões e chuva da grossa, percebi que lá fora tinha alguém a passar na rua, a ver o meu rabo e a ouvir aquilo tudo. È o que dá ter ruas e janelas em níveis não aconselháveis para dadas circunstâncias.

7 comentários:
Só sei que um dia destes quero ir passear contigo!! ;D
lol
passavas vergonha comigo!
Vergonhas contigo?! Por causa das dores de barriga?! Estás esquecida daquela noite dos caloiros na Covilhã e da aventura do meu partner, não estás?!? Tadito... ainda hoje se queixa! ;Q
dores de barriga?
eu sou a prova viva que uma pintadela á pistola é mais rápido que luz. Não dá mesmo tempo de acender o interruptor.
O blog tá á maneira, a boca aqui do je é que era escusada eu sei.
boas viagens e vivam os Comboios!
olá Telma! =)
:)lol :)
o que uma pessoa sofre! O tó é que bem pode o dizer! Agora compreendo e sou solidária :)
a próxima vez que voltar para Portugal, volto por Madrid, tenho umas 3/4horas de escala e levo-te um tupperware de comida do Magreb ainda mais intragável que a espanhola. para não dizeres tao mal da tua vida! o aeroporto não tem um café que sirva adamadinhos? beijnho!
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